segunda-feira, 5 de setembro de 2016

É dia de mini porto belo! Bora lá. ...

Que  o Porto  tem muitas e giras iniciativas  já  sabemos. Mas  aquela em que hoje participamos, por trás  do lado lúdico  e comercial tem uma vertente muito pedagógica.  Falo-vos do mini porto  belo!
Uma mini feira com gente de palmo e meio,  que se realiza  uma vez por mês,  habitualmente  aos sábados.
Descobrimos  a feirinha, por acaso, num passeio numa manhã de sábado pela Praça  Carlos  Alberto.  A nossa curiosidade levou-nos até ao  ponto de querermos saber como participar. A B. tinha  5 anos e muitos brinquedos que já  não  eram utilizados em casa, e mesmo dando muitos  há  sempre aqueles que já  cumpriram as suas  funções  e que se acumulam. Gostei  da ideia de ela poder  vender brinquedos e livros já  usados e também  de mostrar o que seria  capaz de produzir.  

A  mini vendedora começou  assim, a perceber a importância  da reciclagem, da necessidade  de libertar-se dos objectos  que já  não  eram usados, das trocas e do valor das coisas. Foi com esse espírito  que entrámos  neste projecto,  porque  melhor que as palavras  o exemplo e as experiências  moldam o carácter.  E nesta feirinha os mais pequenos  aprendem a gerir  bens e dinheiro. Educar  para a  poupança,  estimular  o trabalho  e a criatividade  é  algo que requer perícia  e boas estratégias.  E com cinco anos fazer contas e trocos não  deve ter sido nada fácil. ...eheheheh,  mas o bichinho  ficou.


Hoje  a edição  é  no Palácio de Cristal,  porque  há  feira  do livro. A B.  continua  na mesma  onda, se quer  participar  tem de planear, começar  por escolher os brinquedos  que já não  quer, arrumar as caixas,  decidir  o que quer fazer e na feira vestir  a pele de mini vendedora : atrair  clientes, atende-los com  toda a atenção,  explicar sobretudo aos mini compradores como funcionam os brinquedos e depois  arrumar tudo. Eu continuo na retaguarda a ajudar e a apoiar.




Desta vez  trouxe  muitos livros que leu mais pequena  e marcadores de livros que fez. Também  tinha rifas com direito a muitas guloseimas e lápis  giros.
Vieram  tantos  mini vendedores e mini compradores  que  os pavões  ficaram espantados!

E os jardins  do palácio  encheram-se de famílias,  tal como a Tânia  Santos  ( mentora da feira) desejou  desde o início,  há  6 anos.  Podem ficar a saber tudo se forem ao site http://miniportobelo.blogspot.pt/ 
Também  vão  ficar a saber que em Outubro   é  o aniversário  do mini porto belo e que a festa será  na Praça  Carlos Alberto.  Esperamos  conseguir  vaga para festejarmos.


sábado, 3 de setembro de 2016

É sábado vai uma paella?

Bem, se há  pratos que me dão  gozo fazer, sem dúvida,  que a paella é  um deles. Pelo colorido e porque faço  tudo num único  recipiente : a paelleira!
Este sábado  decidi aproveitar os pimentos e tomates que ainda abundam no quintal e limpar " sobras" da arca, e a paella permite ambas as coisas.
Pus mãos  à  obra  enquanto saboreava o meu Gin  e fiz um rápido  e delicioso prato cheio de bons nutrientes.
 Vou deixar-vos a receita  mas aviso desde já  que não  sou muito fiel a nenhuma receita em especial e, portanto vou variando nos ingredientes. Mas hoje a nossa paella foi de marisco e, tal como já  referi, foi feita com aproveitamentos que andavam na arca, não  sei bem as medidas exactas, deixo-vos umas de referência. Então  vamos lá,  tem os seguintes componentes:
Ingredientes 
- 1 pimento verde
-1 pimento vermelho
-2 tomates bem maduros 
- um punhado de ervilhas 
-um punhado de feijão verde  cortado como para sopa 
- 2 lulas
- 100 gr. de miolo de amêijoas 
- 100 gr. de miolo de mexilhão 
- 250 gr.  De camarões  descascados 
- 300 gr. de amêijoas 
- arroz próprio  para  paella
 200 ml. De caldo de peixe
-cebola, alho e louro 
- açafrão,  tomilho, oregaos,  mangericao,  sal q. B. 

Na paelleira  colocar cebola, alho, louro e azeite a refogar.  Adicionar o tomate cortado em pedaços  bem pequenos,  juntar os pimentos cortados em pequenos quadrados, as ervilhas e o feijão verde.  Depois adicionar um pouco de caldo de peixe só  para que os legumes ganhem sabor e fiquem  ligeiramente  estufados. Em seguida  adicionar as lulas partidas em rodelas,  o miolo de mexilhão  e de amêijoas  e os camarões  e deixar puxar. Ir mexendo de quando em vez e regar  com o caldo de peixe. Quando os mariscos estiverem macios, adicionar o arroz  e todos os temperos,  incluindo uma boa dose de açafrão.  Deitar o resto do caldo e ir mexendo . Um borrifo de um bom vinho branco quase a terminar,  e quando o arroz estiver praticamente  cozido  adicionar as ameijos e folhas de coentros. Depois é  servir bem quente.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

A casa de Sophia e o Rapaz de Bronze!

"Era uma vez  um jardim  maravilhoso,  cheio de grandes  tílias,  betulas,  carvalhos, magnólias e plátanos. 
Havia  nele roseirais, jardins de buxo e pomares. E ruas muito compridas, entre muros de camélias  talhadas." 
O rapaz de bronze, Sophia  de Mello Breyner  Andressen
Desde que a B. leu o Rapaz de Bronze  que sabia que a teria de trazer à  casa de Sophia.  A quinta do campo Alegre comprada em finais do século XIX  pelo avô de Sophia  de Mello Breyner,  é  hoje o jardim botânico  do Porto. Como tal,  encontra-se aberto ao público,  e  hoje pareceu-nos bem visitar o tal " território  fabuloso ". 
Começámos  pelo jardim de roseiras,  mas tal como os gladiolos também  as achamos umas flores muito sentimentais, perdemos mais tempo com os belos nenúfares  no lago do meio. Descemos pelo caramanchão até  ao pinhal.  Mas  percebemos rapidamente a infeliz perda da maioria da quinta para o asfalto. No tempo em que Sophia  brincava nesta quinta ela tinha o quartuplo do tamanho actual.  Quando  nos anos 50 do século  passado o Estado comprou a quinta  ela ficou exposta aos interesses políticos,  e por isso aquando da construção  da ponte da Arrábida,  os pomares e os pinhais foram preteridos . Foi  o preço  do desenvolvimento  que fez encurtar a quinta. Mas  ainda se salvaram os lagos...
E não  é  difícil  imaginar as brincadeiras de infância  de  Sophia  e Rúben  A.

Mas o lado feng shui da B. Levou-a  rapidamente   até  aos Cactos.  De todas as formas e tamanhos  fizeram-nos imaginar num país  tropical. ...

E as estufas ali ao lado,  cheias de flores , as tais por quem os gladiolos  têm consideração,  " que  têm  o seu nome  escrito  numa placa  de metal atada ao pé  com um fio de ráfia ". Mas  contrariamente ao conto não  puderam receber visitas.  Pelo menos hoje. Estou um pouco  decepcionada  com o Jardim botânico.  Sei que no Verão  as universidades  estão  fechadas, mas será  que não  há  técnicos  que possam ser pagos para manterem as estufas  abertas ao público?! 
Fomos  então  até  ao jardim mais chique,  o jardim dos Jotas ( em homenagem aos nomes dos antigos proprietários  João  e Joana ), e a B. Pulou e gritou que já  sabia o que era um jardim de buxo e  podia  contar à  professora de português  que tinha estado tal como no conto " nos jardins antigos ( onde) havia buxos e azulejos.
Ui, ui, quando no fim a coloquei frente à  estátua  de bronze, é  que foi ver soltar emoções  e contar de cor aquela parte da descrição  da estátua  do rapaz de bronze.  



A B. Tal como eu quando gosta de um livro decora partes com muita facilidade.  Estavamos no pequeno jardim onde "  havia um lago (...) no centro do lago havia uma ilha, feita de pedregulhos e onde cresciam fetos. E no centro da ilha estava uma estátua,  que..."  gritamos em uníssono  Um RAPAZ  Feito de BRONZE.   YUPI. ...
O rapaz que de noite mandava nas árvores,  nos animais, nas flores  e em todos os jardins, pinhais e pomares.
 Saímos  a dançar  imaginando a dança  da Florinda com o rapaz de bronze. 
 Nota-  Num blog não  se pode falar só  bem, portanto, o meu post de hoje tem um travo agridoce.  Fiquei feliz com a visita ao Jardim botânico  na parte da casa e dos jardins, tudo em ordem. Mas não  deixei de reparar em algum descuido no pinhal e na parte da quinta mais próxima  da estrada, muitas plantas secas e murchas, também  as estufas todas fechadas, e nem um guarda ou vigilante  foi avistado durante a nossa visita. Bem, somos  um povo civilizado, mas julgo que a coisa está  demasiado  exposta  e entregue inteiramente às  boas intenções  de quem ali entra. Num país  com uma taxa de desemprego tão  grande e com novas gerações  tão  bem formadas, julgo premente o investimento da universidade  do Porto em mais técnicos  aqui no jardim botânico,  mais biólogos,  seguranças  e guias. Todos sairão a ganhar! Porque este é  mesmo um território  fabuloso.! ! 






Estamos em Setembro e começamos de forma sustentável : Quinta da Gruta

Estamos  em Setembro  é  hora de despedida do Verão  e de preparar  novos projectos.  Setembro é  dos meus meses preferidos . Sempre o associei a coisas  novas  e boas, e como toda a vida estive ligada à  educação, também  ao início  de novo ano lectivo.  A B.  está a uma semana de começar  as aulas, mas como nessas coisas sou uma profissional,  está tudo  pronto, material escolar, manuais já  devidamente encadernados  e tudo etiquetado,  a secretária  está  pronta para os dias vindouros de trabalho e estudo. Portanto,  agora há  que preparar terreno para aligeirar  a entrada da rotina. Pensei  que esta tarde poderíamos  encher os pulmões  de puro verde e mergulharmos enquanto o sol ainda está  quente. Fomos até  à  quinta da Gruta  (Maia ).
Esta  quinta tem a particularidade de ser um complexo municipal de educação  ambiental. Para além  da sua beleza alberga uma escola e um centro de formação. 
Do varandim branco vê -se a quinta em todo o seu esplendor. Não  é  muito grande,  mas contém  iniciativas importantes de sensibilização para a cidadania e sustentabilidade.  
o palacete  alberga a escola e os laboratórios,  onde os alunos das escolas da Maia têm  oportunidade de realizar experiências  relacionadas com o ambiente. 
 Há  também , no âmbito  do Horta à  porta,  um conjunto de hortas biológicas  muito bem cuidadas e com  todo o apoio da Lipor. 


 Um  projecto  comunitário  para famílias  mais carenciadas.  E a água  da ribeira de Almorode contribui muito para o sucesso destas culturas. A B.  e a prima  Leonor
 Brincaram no parque, apreciaram as culturas e deram algum feno ao bode Chico.
O resto da tarde foi para conversarmos sobre estratégias  de preservação do  ambiente, que estas meninas sabem ser amigas da terra.  E houve mergulhos  com brincadeiras de sereia, porque  na quinta da gruta  a natureza fala alto. 
Que bem que Setembro  começou. ..


quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Despedida de Agosto com as festas de S. Lourenço

É  certo que em Agosto não  há  canto nem vilarejo que não  tenha a sua festa. Somos sem dúvida  um povo festivaleiro, puxa-nos o pé  para a dança  e o corpo gosta de bailaricos, farturas e confusão.  Está -nos na alma a devoção  e há  santos em cada lugar à  espera de procissão  e tapetes de flores. Vestem-se altares  e janelas, afinam-se as vozes e paga-se ao grupo da moda para trazer os forasteiros. É  assim em Agosto. Milhares de festas e romarias. Trago uma que  nos conquistou.
S. Lourenço.  Vilar de Andorinho,  Gaia. É  uma pequena freguesia  e só  a descobrimos  quando levámos  a B. Ao auditório  Salvador  Caetano em Dezembro passado a pedido da sua professora de piano  para um concurso musical . Afinal era já  uma iniciativa da  comissão  desta festa que organizava eventos para angariarem fundos  e promoverem a festa.  
Foi a garra e a irreverência  de um punhado de jovens da freguesia,  na sua maioria estudantes universitários  que nos conquistou, com a sua vontade de serem os obreiros das festas de S. Lourenço.  Estes jovens pegaram no seu querer e saber e alargaram a festa.
Às vertentes  religiosa e paga, juntaram 
 a  gastronomia e a cultura.  Se até  às  festas pouco sabíamos  deste lugar, depois de percorrermos a exposição  "coração  de S. Lourenço "  já  conhecíamos  as gentes e as tradições,  a origem   da festa  e as comissões  mais importantes , a história  da capela  e a mercearia  mais famosa.
Confesso que não  sou uma expert em romarias, mas esta pequena festa à  qual não  quisemos faltar tinha sabor de tradição  renovada, de esperança  na preservação  das identidades locais .
E disso esta comissão  pode ficar orgulhosa,  pois  é  assim que se paga a dívida  ao passado, fazendo-lhe homenagem com a viva memória. 

 S. Lourenço  deveria estar feliz no alto da sua capela ao sentir tantos corações  aos pulos  de alegria.  

Um brinde aguardado. Do Porto para Luanda....promessa de uma noite de copos e conversa sobre tudo e nada!

Este fim-de-semana vai ser de compras. Das boas. Líquidos  para guardar e bebericar em ocasiões  de festa. Nha, não  são  para aniversários ou casamentos, são  para os dias em que a sala se enche de amigos e brindamos aos reencontros, às conquistas e às desventuras...em que saboreamos a vida num trago e de um rasgo se esgarca  a amizade com gargalhada infantil de quem sabe o preço  da presença  dos que são  queridos.
E fui num pulinho à garrafeira para fazer um levantamento dos vinhos do dão.  É  que este fim-de-semana é  a festa do vinho do Dão  em Nelas, e por lá  há  sempre bom vinho.  Deparei-me com esta " relíquia ", um bordeaux.
 Alto. Esta garrafa tem destino, ou melhor, destinatário,  vou esperar por Dezembro e com ele pelo regresso do meu amigo de Angola. Este parece-me feito à  sua medida, desde o nome à  sua elegante estrutura.  Digno certamente de palato exigente e experiente nestas andanças  de Baco, não  fosse ele o " vadio" mais glamoroso  que conheço. ...ehehehehe! Acho  que vai mesmo vestir bem o seu mote: " noites alegres, manhãs  tristes! " Parece que o imagino mesmo a dizer-me, do alto do seu pragmatismo "desculpa tanta filosofia, o que tenho é  sede mesmo!".... Daí  em diante, será  ver jorrar as palavras quais ditirambos . 
Agora que  o  vinho aguarda, volto ao meu livro! 
 Mas, estás  a ver a maka?  Se volto a Ondjaki  volto a ser assomada por aquele tipo ( não  me leves a mal amigo, se queres preservar a tua identidade, como te hei-de tratar?) Puxa, logo havíamos  de ter ido à  Lello e " os transparentes" havia de estar esgotado! Maldita sorte, o meu ficou em Luanda.  Mas,  não  tarda está  aí  o Natal, terás  o teu vinho e o teu livro, amigo, prometo. Sim, porque vais devorar aquele romance e tens mesmo de conhecer o Odonato e as suas transparências e a forma leve com que fala dos  calundeiros.
 Ah e a Maria com força e o vendedor de conchas que se apaixonou pelo mar salgado de Luanda. Assim,  tipo nós.  
Bem, fica a promessa,  o vinho para o brinde e Ondjaki  para nos alimentar a conversa ( como se precisassemos de ignição. ..eheheheh). Volta rápido  amigo, que quero saber das tuas vadiagens! 

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Indo eu, indo eu....comemorar o centenário do Museu!

Poderia  começar este post por dizer há  vinte anos atrás  quando eu morava na rua atrás  da Sé  este largo não  era diferente, era exactamente  igual...mas soaria a cliché  de Hermano Saraiva, que não  faz de todo o meu género.  Eheheh!Mas não  deixa de ser um facto real.
A imponência  do granito sobrevive ao tempo e mantém  inalterável  o ex-libris  desta cidade que não  é  à toa que se diz cidade museu! E é por este, pelo museu que volto ao largo, para lhe prestar homenagem, perscrutar- lhe as paredes e janelas de guilhotina,  entrar portal dentro, passar as duas colunas orgulhosamente,  porque este museu faz cem anos! E para a festa há  que o visitar, contar também  para o número,  porque o seu director erigiu os cem mil visitantes  como meta,  e as gentes da beira sabem bem que " só  alcança  quem não  cansa".   ( Aquilino Ribeiro)
O Museu Grão Vasco  que agora é  Nacional merece esta festa,  vestiu-se de gala e abre os seus tesouros renascentistas  aos olhares que os quiserem acolher. Vasco Fernandes  fez bem a sua parte, paletes de cores quentes e todos os pormenores sagrados. Quando se entra na sala de  São  Pedro ( pintura a óleo, 1529)  dá  mesmo a sensação  que vai começar  o julgamento.  Ai,  é  melhor descer a escadaria de pedra a correr para não  ouvir o veredito, eheheheh 
Este museu  é  sem dúvida  a  casa  de grão  Vasco.  Outrora  foi Paço episcopal e Souto Moura  reabilitou-o já  neste século.  E nestes cem anos tem sido um bom guardião  da arte sacra, não  estivesse paredes meias com a  catedral, que começou  por ser  romântica  mas que conta a história  de quase todos os estilos , e,   ladeado pela Igreja da Misericórdia  no seu estilo rococó.  

é  do cruzeiro que também  marca o poder eclesiástico  que nos despedimos de Grão Vasco  e do museu. Mas a festa continua, muitos aplausos! Viva o Museu Grão  Vasco!