terça-feira, 13 de setembro de 2016

Noite de chuva, manhã na horta

Choveu toda a noite, pela manhã  sabia a terra fresca. As primeiras chuvas deixam este odor  a terra e feno. Já  tinha planeado esta manhã  ir tratar da horta. Com a terra molhada é  mais fácil  arrancar as ervas daninhas. Acrescentei composto e adubo biológico,  que serão  absorvidos mais facilmente. E em seguida dediquei-me às  plantações.

pelo meio das alfaces e a rodea-las plantei uns pés  de alho-francês.  E ao lado das acelgas pus umas beterrabas. Aqui em casa descobrimos o arroz de beterraba 
E adoramos aquela cor rosa vinho. O limoeiro  está  carregadinho e já  há  chuchus a crescer. Tudo em ordem.
Ainda  fui acrescentar composto aos morangueiros e às  aromáticas.  Hoje é  bom dia para trabalhar com a colaboração  da natureza. Já  choveu bem, está  tudo bem irrigado e o sol brilha...

 É  um bom ciclo e estamos em boa altura de preparar a terra para as plantações  de inverno.
 



Revisitar "A Árvore " porque os artistas não morrem...

Quando  ontem abri o jornal tive de ler a má  notícia  da morte do artista plástico  José  Rodrigues.
Ficámos  mais pobres, pensei subitamente.
E hoje não  podia deixar de revisitar a casa amarela , esse espaço  de liberdade do qual José Rodrigues  foi também  um dos fundadores.

De facto  o escultor tinha razão  "nem à  bomba (n)os arrancam daqui" . Os artistas são  seres fantásticos,  são  visionários  e conseguem deixar marcas... Criam um  outro mundo de possíveis e provocam-nos...

É  a ambiguidade,  o contraste, este jogo do quase  ver, de significantes que querem emergir...
 que torna a arte tão  nobre  quanto maltratada.  Pelo  menos, na maioria das instituições  e pessoas de poder. Mas,  isso  não  interessa nada, levaria  por caminhos  sinuosos  porque  nos impeliria a questionar a escola, a falta de importância  dada à  educação  da arte ou pelas artes, ao magro orçamento  que  é  destinado à  cultura,  enfim.... como diz  o meu amigo PPC  isso não  interessa nada.  Esta  luz, estas cores vivas e a ESBAP  é  que  fazem sentido,  porque sim!
Será  que o PPC  foi aluno de  José Rodrigues?  Tenho de perguntar-lhe. Ou talvez  já  o artista tivesse deixado de ser  professor nessa altura, talvez  já  tivesse sido depois de o  espantarem de tanto o chamarem de mestre. Sim, que  o escultor não  quis perder a sua autenticidade.  E  não  perdeu.! E sempre fiel aos materiais  dignos desse nome, a pedra e o metal. 
Ainda  bem que não  gostava do efémero! 
Felizmente  as suas obras serão eternas,  pelo menos as maiores, o espírito  desta cooperativa e a bienal de Vila Nova de Cerveira.  A menos que  um terramoto mental ou uma crise galopante de Alzheimer assolem as novas gerações  de artistas! ! ! ! 

domingo, 11 de setembro de 2016

Manhã nublada no Jardim do Passeio Alegre

Hoje é  Domingo. Mas  não  é  um domingo qualquer, é  dia 11 de setembro e há  15 anos a nossa segurança  foi questionada e desde aí  não  temos tido sossego. Estamos em sobressalto constante. A queda das Twin  Towers foi apenas o início  dos abalos que vivemos no ocidente.
E esta manhã  chegou cheia de nuvens para nos avivar a memória.  Por aqui no Porto,  nota-se bem que o tempo mudou, está  mais fresco. Decidi ir até  à  Foz  apetecia-me ler o jornal perto do mar. Mas,  entretanto ao passar pelo jardim  do Passeio Alegre apeteceu caminhar...
Este jardim romântico  de finais do século XIX  sabe a Raul Brandão. Certamente correu por estas bandas, estamos na foz. O largo dos pescadores fica mesmo  antes do jardim. E o rio fica ali do outro lado já  a roçar  o mar. 
O lago deve estar em manutenção,  vazaram a água,  sobressai o bronze!
E  o coreto que se vislumbra continua a servir de palco para concertos. Este Verão  não  me apercebi de nenhum, mas por aqui houve em Agosto as  festas de S. Bartolomeu. 

O caminho das palmeiras rivaliza com as frondosas  árvores  que se reviram e contorcem sob o olhar dos turistas  que ainda teimam em deter-se pelo Porto. E o chafariz de granito puxa-nos quase até  ao forte de S. João  Baptista. 
Importa  ainda referir  a construção  que serve agora de casa de banho com azulejos arte nova e louça  inglesa. Mesmo de burgueses. Aqui os passeios fazem sentir-nos mais antigos e tranquilos. Agora que a caminhada está  feita vou sentar-me calmamente a beber um café  e a folhear o jornal.



sábado, 10 de setembro de 2016

A festa do livro chegou ao Palácio de Cristal

"Para sempre. Aqui estou. É  uma tarde de verão,  está  quente."
    Vergilio  Ferreira,  Para Sempre

A feira do livro está  já  a terminar a sua  primeira semana, pena. É  a terceira vez que cá  venho este ano. Gosto  de livros, pronto! E  felizmente  que a feira se instalou no Palácio,  julgo que este vai ser o seu espaço.   E os livros merecem esta casa aberta, sem tecto e com paredes verdes.
Aquando  da crise na Grécia  houve uma história  que me impressionou ( positivamente). Um homem de meia-idade tinha ficado primeiro  sem emprego e depois sem casa. Tornou-se em mais um sem-abrigo. Um jornalista  entrevistou-o porque ele estava rodeado de caixas,  umas de cartão,  outras de madeira e, perguntou-lhe se eram os seus  haveres, ao que o homem respondeu: saí  de casa com os meus tesouros, são  os meus livros. Faz todo o sentido a frase de Vergilio  " pensa com a grandeza que pode haver na humildade." 
Embora  polémico  e um tanto esquecido,gosto de Vergilio.  Da  
Sua escrita, do seu estilo na forma de carta, da densidade e das inquietações.  Este é  o ano do seu centenário  e a APEL  faz-lhe justa homenagem. A exposição  é  densa e minimalista, expõe  a sua minúscula  e quase ilegível  caligrafia  e deixa perceber a sua escrita em processo contínuo. 
Tantos livros. E os livreiros e editores estão  ca todos, os grandes e os pequenos sobreviventes. Os defuntos,  as editoras desaparecidas, também  estão  , nos alfarrabistas. 
 Confesso  que apetece subir no balão,  mas  está  mesmo quente e não  há  tempo a desperdiçar.  Continuo à  procura  de mais livros. Mas digo-vos que há  por aqui umas bancas cheias de graça,  quer dizer fazem-me rir por tanta tontaria.  Imaginem que vi Fernando Pessoa ao lado de uma edição  manhosa da Bíblia  infantil. E Nietzsche  colado a Enid Blyton !!!!! !  Nesta  festa temos mesmo de fazer um  picnic  , tal como disse Ricoeur " O  autor  traz as palavras e o leitor o significado".

Agora junta-se o jazz na  concha acústica.  Sento-me .

 Os livros também  cansam. Mas, é  mesmo assim, " estamos  condenados a pensar com palavras, a sentir em palavras, se queremos pelo menos que os outros sintam connosco. " ( vergilio  Ferreira ). 
Abençoados  os  escritores por nos fazerem sentir assim!

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Da biblioteca da FLUP e do dever de memória

Hoje  a B. regressou às  aulas, começou  um novo ano lectivo.
Também  teve início  o segundo Congresso Português  de Filosofia na FLUP  - Faculdade de Letras da Universidade  do Porto. 
É  estranho ir a um congresso sobre filosofia e não  ir falar, quero dizer não  apresentar uma comunicação.  Há  anos que não  me acontecia, mas quando esteve aberto o call for papers estava ainda em Angola.  Mas  não quero  deixar de marcar presença. 
Depois  de deixar  a B. e enquanto conduzia lembrei-me  que esta já  foi uma rotina importante, também  a deixava na creche e lá  ia  para a biblioteca da FLUP  pesquisar e escrever. Dias a fio, nos dias livres, nas férias  e por vezes até  nas manhãs  de sábado. 
E já  passou quase uma década  desde os meus tempos de doutoranda. E  grande parte da minha tese foi construída  nesta biblioteca.

 Porque  tem um bom acervo bibliográfico  nas áreas  da Filosofia,  Literatura  e História;  porque em termos estruturais apela à  leitura e ao trabalho com uma magnífica  luz natural e ainda com a vantagem de oferecer uma paisagem ímpar  do rio Douro ; e porque tem bastantes periódicos. ...;
Na minha solitária  investigação este espaço  foi muito  importante, por isso tinha mesmo de fazer um post sobre a biblioteca, porque a minha condição  de ser-afectado-pelo-passado exige este trabalho de memória,  porque tenho uma dívida que esta narrativa pode pagar. E a minha imensa alegria, sinto-a quando aqui entro, por isso a minha memória  está  apaziguada. E esta biblioteca  continua a dar-me tanto e tanto, não  poderia  entrar e sair sem ver as novidades, os últimos  periódicos,  e eis que o último  número  da Revue Sciences Humaines traz um artigo de François  Dosse sobre Paul Ricoeur. 
Julgo que ainda não  referi mas sou uma Ricoeuriana, uma especialista em Paul Ricoeur!  Pelo menos tento ser...eheheh. Mas é  verdade a minha tese foi sobre Ricoeur,  daí  ter de ler tantas obras e articular várias  áreas,  por que este é  o filósofo  de todos os diálogos  possíveis. E esta biblioteca possibilitou-me muitas das leituras necessárias. .. Agora que já  actualizei mais algumas vou para o Congresso, que isto é  um evento imperdível  ( digo eu, claro está ).


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Somos giros e comemos FRUTA FEIA!

Hoje finalmente fomos aceites num projecto  colectivo  contra o desperdício  alimentar.
Desde que descobri na net  o projecto  FRUTA  FEIA http://frutafeia.pt/pt/projecto  que quis aderir, mas fiquei  em lista  de espera até. ..hoje!
Agora sou sócia  da cooperativa.
E estou ainda mais satisfeita por contribuir para diminuir o desperdício alimentar, porque não tem lógica nenhuma este consumismo hedonista. Arrepia-me a ideia de perfeição, de selecção e de normalização. ...esta história de fruta e legumes obedecerem a parâmetros de calibragem, regularidade e formatação  é  um absurdo. Eu tenho os meus valores  estéticos mas na minha escala estão  abaixo  dos princípios  éticos.  É  que esta coisa dos produtos terem de ser bonitos e perfeitos é  tão  absurda como seleccionar  as pessoas pela aparência.  E quando  Heidegger  defendeu a perfeição  do ser sabemos bem qual foi a interpretação  que Hitler  lhe deu! Safa é  de arrepiar só   de imaginar quão  selectivos estamos a ficar. Mas, os números  não  enganam e à pala    desta obsessão  só  em Portugal  há  quase 30% da produção  agrícola  que é  desperdiçada.  Será  que isso não  inquieta  as pessoas?

Eu sinto-me  mesmo uma privilegiada ! E foi mais uma descoberta a entrada na cooperativa do povo portuense, parecia que tinha entrado numa horta toda aprumadinha!

E fui principescamente  recebida por uma jovem bem simpatica e atenciosa que me explicou tudinho tim-tim-por-tim-tim...
Depois foi escolher o cabaz, mudar todos os produtos para um saco e pronto! Cá  temos a nossa cesta de fruta feia, que faço  questão  de vos mostrar  orgulhosamente 
oh pra aqui, se isto é  fruta feia,  não  sei mesmo  avaliar a fealdade...eheheh. imaginem  estes legumes e frutas todos a irem para o lixo por falta de qualidade  para entrar no mercado. Ainda bem que alguém  teve a coragem de  arrancar  com este projecto. Só  saímos  mesmo a ganhar, temos produtos  frescos e saborosos que vêm  directamente  dos produtores e a um custo mais baixo...eheheheh.
O que vos posso dizer  é  que os espinafres já  deram uma bela sopa e que os maracujás  e os figos são  deliciosos! ! E só  pra semana é  que tenho direito a novo cabaz, pena!!!!! ! ! 


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Está na hora de arrumar as toalhas....adeus à praia do marreco!

Isto de levantar  e preparar tudo para mais um dia de praia tinha de acabar. Se dúvidas  houvesse o calendário  escolar sobrepõe -se a qualquer tentativa de prolongamento dos horários  de Verão.  Ou da falta deles, melhor dito. E agora que o calor parece não  querer deixar-nos, sabe tão  bem o ar de maresia frente ao mar. Mas, pronto. Temos de nos despedir do mar, do areal, da paisagem rochosa....A praia do marreco não  vai fechar, mas para nós  a época  balnear está  feita!


Esta é  a nossa praia, a B. Veio pela primeira vez com pouco mais de 4 meses, aqui gatinhou e sentou-se, também  saboreou a areia...eheheh.
Continua a ser a praia onde quase diariamente passamos os dias de calor, tem bandeira azul, um optimo areal dunar, rochedos que se enchem de pescadores e criancas a apanhar peixes e mini caranguejos. A B. em pequena gostava de ficar nas pocinhas a brincar. Agora fazemos sempre caminhadas até à praia da memória  ou então vamos pelo passadiço de madeira espiar as dunas. Há tanta coisa para fazer por aqui, quando um livro não basta. E temos sempre o nosso para vento reservado, que aqui as nortadas não são meigas.
Esta é a praia do sr. Carlos, com direito a conversa na esplanada onde nas horas mais quentes sabe bem espreguiçar. 
Temos a casa cheia de búzios  e conchas que ao longo dos anos fomos apanhando enquanto a maré vazava. Temos vizinhos de praia e todos os verões a B. teima em deixar castelos e construções na areia.

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No inverno ainda voltaremos em dias de saudade para olhar o
  horizonte.