domingo, 25 de setembro de 2016

Fomos à festa de Outono de Serralves fazer espantalhos!

Plantoir, Claes Oldenburg e Coosje van Bruggen, 2001
Poderíamos encontrar melhor forma para celebrar a chegada do Outono do que a festa de Serralves?! Claro que não!!!
Há 8 anos que a festa de Outono se realiza em Serralves, perto do fim de Setembro, e, até este ano era sempre um só dia. Embora a edição deste ano decorra pela primeira vez durante todo o fim-de-semana, eu e a B. optamos por continuar a preferir o sábado e hoje lá fomos todas expectantes e....cautelosas! A última festa de Outono em que participámos juntas foi há 3 anos e a bem dizer deixou-me um fardo pesado na memória, rebocaram-me o carro!!! Pois! Logo, este ano fomos só depois do almoço mas sem pressa de chegarmos, tinha era de encontrar um lugar de estacionamento correcto e sem correr riscos....bem, isso custou-nos uma boa mas animada caminhada.
Assim que entrámos percebemos que o parque  se tinha vestido com a nova estação. De programa na mão seguimos em direcção ao Prado. 


Envolvemo-nos na multidão pela Alameda dos liquidambares, passamos a casa de Serralves, essa jóia de art deco, outrora casa do conde Carlos Alberto Cabral e descemos a Parterre central.



Nestes dias de festa os 18 hectares do parque parecem pequenos, mas é sempre fascinante sentir esta imensidão de gente a dar formas outras aos espaços.
Percorrer o parque é fazer uma viagem pela vasta fauna e flora que se estende numa diversidade harmoniosa hábil e meticulosamente criada por Jacques Greber nos anos 30 e que em 2001 foi reabilitado num projecto que vale a pena conhecer pormenorizadamente aqui http://www.serralves.pt/pt/parque/projeto-de-recuperacao-do-parque/

Depois do lago, no passeio da levada vimos os burros de Miranda 

E finalmente avistamos o Prado em festa!
 
Tantas oficinas, oportunidade para aprendermos e construirmos coisas.... a B. quis começar pelos moinhos de vento!

Mas  o nosso grande objectivo era fazer espantalhos para a horta! Antes, conseguimos improvisar uns abrigos de inverno para os insectos amigos das plantas.

Foi giríssimo estarmos ali sentadas a unir pedaços de palha com fios e a tentar dar forma aos espantalhos entre batalhas de palha. Os miúdos  (e alguns graúdos também) da cidade deram-se à liberdade de brincarem e atirarem palha numa autêntica chuva a que ninguém escapava. E sabia bem ver a felicidade estampada naquela malta. E por ali nos demorámos e entretemos até por volta das 19h.
Ainda conseguimos espreitar o mercado da festa e a feira de artesanato urbano.

E pronto, amanhã haverá mais festa! Quanto a nós cá estaremos para o ano que agora há que subir novamente tudo até aos portões e daí até ao carro....que boa iniciativa esta para unir portuenses e não  só, permitindo o regresso a outros tempos numa época em que são preciosos os momentos de convívio e de partilha....quanto aos espantalhos, esperem em breve por novo post e irão encontrá-los na horta!;)

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Apanhar perpétuas roxas no Cantinho das Aromáticas

"(...)os olivais que nos cruzaram, ajoelhavam...Havia nuvens no ar que nos seguiam...
O vento...acompanhou-nos, veio deitado nas nuvens...os corvos seguiram-nos também. ..
E voavam entre eles as andorinhas (...)o ar...todo o ar cheirava a urze. "
         António Patrício,  Pedro, o cru.
Quando se entra no Cantinho das Aromáticas e olhamos a beleza da quinta com o pombal ao fundo, não é difícil imaginar Pedro e Inês apaixonados a correrem para se esconderem na construção circular de pedra...o Amor proibido que constitui uma das mais belas ( e trágicas) histórias da nossa própria História, o amor entre D. Pedro e D. Inês de Castro, cruza-se com a quinta onde desde 2002 se encontra este promissor projecto do Cantinho das Aromáticas cuja história pode encontrar aqui http://www.cantinhodasaromaticas.pt/o-cantinho/
Andava já há algumas semanas para ir ao Cantinho comprar uns vasos de aromáticas para colocar no quintal, quando numa espreitadela rápida pelo site de modo a ver novamente a direcção  ( sim, que nas duas vezes em que já lá tinha ido andei  perdida!!!) Li que esta quinta-feira haveria colheita de perpétuas. Ena, não iria perder esta oportunidade.


Assim que se entra na quinta apetece cantar a canção do Rui Veloso
Tília trevo e açafrão 
Erva pura pimentão 
Louro salsa e cidreira
Urze brava e dormideira
É esse conjunto de cheiros que se inala a cada passo. Todas as plantas aromáticas que possamos imaginar existem aqui em belos e cuidados canteiros.  Mais de 150 espécies, todas Bio.
Que fantástico projecto. Não  é  por acaso que esta é a única quinta urbana certificada como produção totalmente biológica desde as sementes ao produto final. E o seu mentor deve estar bem orgulhoso pelos prémios já ganhos. Luís Alves, o jovem empreendedor que sonhou um projecto sustentável já foi o responsável pelos jardins de Serralves, talvez isso explique a beleza de cada recanto...
E o amor à natureza aromatizada. Um amor que se continua a viver por aqui...
Uma herança inestimável às novas gerações . Mas  voltemos às perpétuas roxas, afinal foi por elas que esta tarde vim...


Que flores tão mágicas, pequenas e delicadas e grandes nos seus  poderes. Quem diria que estas herbáceas são anti-inflamatórios naturais e que são preciosas aliadas de cantores. Parece que esta infusão era uma das preferidas da Amália. Pena que não tenha podido experimentar a infusão do Cantinho!
Durante estas curtas horas de voluntariado na quinta tive o prazer de encontrar uma simpática e "experiente" companheira que me foi falando da sua magnífica experiência aqui pelo cantinho e de um grupo habitue com quem tem partilhado estes momentos tão tranquilizantes. O tempo passou rápido. A Tia Graça ( tia do engenheiro Luís, tia nossa também), uma delícia de senhora, que na sua simplicidade nos ensina a colher as flores e com gestos delicados nos envolve nestas tarefas, a horas nos fez terminar o trabalho e ainda posou connosco.

No final, na loja da quinta havia chá de Erva-príncipe e de amor perpétuo com biscoitinhos a esperar por nós. Ah, e a simpatia do Luís Alves que hoje fazia anos. Tivemos assim oportunidade de lhe dar os parabéns e desejar felicidades, que é aquilo que se espera deste projecto.
E agora enquanto escrevo este post saboreio com mais saber a infusão de perpétuas roxas com a esperança de regressar na próxima quinta-feira para continuar a ajudar na colheita.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A ver o mar na esplanada da Praia da Luz...

As ondas quebravam uma a uma
Eu estava só com a areia e com a espuma
Do mar que cantava só para mim
Sophia de Mello Breyner Andersen

Agora que oficialmente o verão está a chegar ao fim, apetece apanhar os últimos raios de sol à beira-mar. Ficar a contemplar o mar, nas suas ondas mais ruidosas e constantes. A areia mais brilhante e desafogada de pessoas.
Apetece conversar e ficar a olhar...
A Foz abriga uma das mais belas esplanadas, de vista privilegiada com o mar a abrir o horizonte, nada melhor do que acabar a tarde ao ritmo de um longo por-de-sol. 
A esplanada da Praia da Luz é um dos locais mais bonitos e bem situados mesmo no coração da Foz, espaçosa e bem decorada, podemos almoçar no restaurante ou ficar ao sol num dos verdes sofás e tomar uma bebida. A decoração é muito agradável, tranquila e os tons pastel convidam a momentos de relaxamento.
Confesso que é uma das minhas esplanadas preferidas, mesmo de inverno. Gosto de vir até aqui nas manhãs de Domingo e ficar a ler o jornal com o vento frio a tocar a face. Por ora, a brisa é suave e calma. Respira-se mais devagar. Enche-se a alma.
Mas infelizmente o serviço aqui deixa muito a desejar. Mesmo numa tarde em que se contam pelos dedos os clientes, os empregados parecem baratas tontas, muito desorganizados...Quis uma bebida, fartei-me de acenar e nada! Tive de me levantar e abordar uma empregada que me disse que estava numa zona reservada. Espantada retorqui que não vi nenhum marcador a indicar reservado. Novo espanto! Afinal o colega ia nesse momento reservar aquela área para um grupo. Bem, mudei-me. Nova e demorada espera. Olho as meninas a divertirem-se e aguardo pacientemente.
Vale a pena apreciar o momento, saborear os raios que se acanham...
Esta  esplanada podia ser perfeita. É  só  mesmo organizar melhor o serviço,  foi difícil conseguir um fino para celebrar o momento! !!





terça-feira, 20 de setembro de 2016

A arte de bem receber: do porto tónico ao risotto de cogumelos

Agrada-me esta nova forma de receber amigos na cozinha e de ir degustando as entradas enquanto se prepara o prato principal. Felizmente vivemos numa era mais informal e longe vão os tempos em que convidar alguém para jantar em casa exigia um rígido protocolo cheio de etiqueta que só servia para colocar os anfitriões num stress e bastava para alterar a rotina da casa uns valentes dias antes do acontecimento. É assim que me lembro de alguns jantares de infância em casa dos meus pais.
Ainda bem que sou filósofa e que gosto da simplicidade dos encontros. Quando  planeei a minha cozinha pensei desde o início que teria de ter uma ilha para sentar os amigos. E foi isso que fizemos neste jantar.
Iniciámos as hostilidades gastronómicas com uma tábua de queijos, doce de abóbora caseiro, paté e um Porto tónico.
Para o cocktail  elegi um  Real Companhia Velha Malvasia que deitei sobre uma camada generosa de gelo, uma rodela de limão e umas folhas de hortelã, depois foi adicionar a água tónica e....brindar!
enquanto conversavamos vesti a pele e o avental, diga-se a bem da verdade, de chef e cozinhei um risotto de cogumelos portobello com gambas quase num piscar de olhos.
A terminar um saboroso cheesecake de frutos vermelhos da confeitaria Tavi.
E pronto, escusado será dizer que esta noite a dieta foi para o galheiro, mas todos os comensais ficaram bem servidos!!!



segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Na livraria Lello com a minha amiga polaca!

"Os optimistas acreditam que este mundo é o melhor possível, ao passo que os pessimistas suspeitam que os optimistas podem estar certos... (...)Existe uma terceira categoria: pessoas com esperança !"
         Zygmunt Bauman
Ter uma amiga a visitar-me e pela primeira vez  no Porto é um duplo privilégio, pessoal e turístico,  pois tenho a oportunidade de a levar a conhecer a cidade, de ser a sua guia e de a conduzir pelos recantos da invicta. 
Comecei como boa anfitriã pela livraria Lello, a casa mãe dos escritores, ex-libris obrigatório de visita. Primeiro olhar sobre a beleza inconfundível da fachada neogótica com as suas duas pinturas, a arte e a ciência a ladearem a entrada. Depois da fila e de bilhete comprado entramos e somos de imediato engolidas pela multidão de turistas e pelo ruído poli linguístico. Estamos na editora de Eça de Queirós, Camilo de Castelo Branco, Antero de Quental e tantos outros grandes escritores admirados e publicados pelos irmãos unidos, António e José Lello os burgueses intelectuais que ainda em finais de séc. XIX (1894) compraram a antiga livraria Chardron com todo o seu espólio e começam a intervir no desenvolvimento cultural da cidade publicando as primeiras edições com a colaboração dos artistas plásticos republicanos que emergiam nessa altura.
 Estavam  certamente longe de imaginar que dois séculos depois a sua livraria se transformaria numa das mais reconhecidas em todo o mundo. Longe de imaginar os milhares de turistas a subirem a escadaria de carmim.
E aqui estamos nós a percorrer o palácio da memória. ...folheamos juntas livros e recordamos a nossa primeira feira do livro no Colégio em Luanda. A Natália foi o meu braço direito, podia dormir descansada pois, a área administrativa e financeira estava em boas mãos. Trabalhamos em conjunto e sempre nos demos bem, porque punhamos toda a nossa experiência e profissionalismo naquilo que fazíamos. É a isso que se chama dignidade no trabalho. Decus in labore, a insígnia que se vê entrelaçada no monograma no belíssimo vitral da Lello.
Este vitral que nunca tinha sido retirado até  aos finais de julho e que foi todo limpo e reabilitado a primeira vez para o lançamento mundial de "Harry Potter and the cursed child", a festa em que a Lello também participou.
É  fantástico estarmos aqui as duas, de novo, entre livros, afinal no nosso mundo.
 Falamos de histórias e de autores, escolhemos livros para as meninas, ainda posso ajudar a seleccionar algumas gramáticas de português para estrangeiros. Na Polónia há muitos interessados em aprender português, a Natália fala bem a língua, é só melhorar e poderá vir a ser tradutora como quer. Não tenho dúvidas que será uma boa tradutora.
Tal como o sociólogo polaco disse, somos pessoas com esperança!  E não fazemos parte da massa de consumo que só é capaz de manter relações líquidas! Até podemos pertencer ao grupo das excepções, e mesmo agora no mesmo continente mas separadas por alguns quilómetros de distância, somos ambas viciadas nas novas tecnologias e sabemos bem que com um click nos manteremos próximas.

saímos da Lello  mais felizes e pesadas. 
Agora  vamos calcorrear as ruas aos risos. Bem-vinda à cidade do Porto !!!






sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Mercado do bom sucesso, eclairs....ou o melhor doce que o porto tem!....a pensar em ti amiga Isabel!

No  amor podemos substituir  uma pessoa  por outra, mas não  na amizade,
Porque  cada amigo tem  o seu  lugar e não  podemos substitui-lo.
    António  Lobo Antunes


Dia de chuva no porto, dia cinzento a pedir abrigo. Rumo ao Mercado do Bom Sucesso.
Por aqui perde-se o tempo, há  sempre pessoas e coisas diferentes,  e viajamos  por todo o país  através  dos sabores e das cores de cada região.
Por  aqui no norte já  começa  o frio, quando os trópicos  aquecem. Lembro-me de Angola  , do cheiro intenso da terra alaranjada  e das cores quentes. E sinto saudades,  é um  facto.  Sobretudo das pessoas  e de uma em especial, a minha amiga Isabel.
 Uma  daquelas  mulheres feitas de fibra e coragem, daquelas com quem rimos e choramos de um modo espontâneo, que não  douram pílulas,  mas que atiram as palavras certeiras, mesmo as mais duras de ouvir. Mulheres do norte, claro está!
Quis  a vida nos seus ramos por vezes inexplicáveis,  colocar-nos  no mesmo caminho! Em boa hora!

Durante o meu tempo de expatriada  foi a minha confidente, o ombro e o porto de abrigo nas horas duras de saudade, o empurrão  para a luta num quotidiano por vezes difícil,  a companheira das gargalhadas  e das vivências  mais genuínas. 
 vivemos no "MULEMBA RESORT " peripécias  que a memória  não  apagará.  Aliás,  "D. Isabella" como o  nosso  amigo francês  lhe chamava, era a alma ( e o general, diga-se a bem da verdade) da Mulemba.  E a D. Isabella  todos prestavam  vassalagem.  Tipo Branca de Neve e seus sete anões. Estão  a ver o filme?!   Sim, que na Mulemba  tínhamos o dengoso, o atchim, o feliz, o mestre, o zangado, o dunga e o sonecas. Eheheh...uns autênticos  cromos, todos sempre prontos a agradar a loura branca!; Na  verdade nada fazíamos  sem a sua aprovação,  ou pelo menos sem  a sua conivência.  E até  os menus tinham de ser do agrado da dama ( de ferro). E isso implicava sempre um prato farto, um vinho de categoria e  um  bom docinho ( ou vários. ...eheheh). 
 Por isso, agora se faz tão  presente o seu gosto tão  apurado, e, por aqui estaria nas suas " sete quintas". Ele há  marisco, bons vinhos, chás  para enfartamento, ervas e aromáticas  para qualquer tipo de maleita ou achaque, bom vinho para os brindes! Ah, e o melhor e mais famoso doce do Porto.

 Os  eclairs  da Leitaria  Quinta  do Paço.  
Aqueles que se desfazem na boca e que nos fazem lamber o chantili que se escorre e nos lambusa  o canto da cara.. E D. Isabella  lambona teria dificuldade em escolher: entre o tradicional de chocolate, o de caramelo, de frutos vermelhos, de chocolate branco, de café.  Ou de limão  para os dias mais azedos. Ui, e os de maracujá,  perfeição  agridoce. 


Só  nos imagino por aqui as duas a pavonear, cedendo a tão  irresistíveis  tentações  e a matarmos  o tempo e a distância à  velocidade galopante de quem come estes mini eclairs,  que é  o mesmo que dizer, de uma única  e intensa dentada! 
Amiga,  estou por aqui, no Porto, aparece quando quiseres, mas, vem! Vem só,  yah?!