terça-feira, 4 de outubro de 2016

Por terras de Alentejo: (take 3) Esse lugar mágico chamado Porto Covo

" É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e traçar caminhos  novos ao lado deles. É preciso  Recomeçar a viagem. Sempre."
   JOSÉ SARAMAGO in viagem a Portugal 
Regressar a Porto Covo é como revisitar um amigo que já não se vê há algum tempo mas que nos parece que ainda o vimos no dia anterior. É uma viagem de reconhecimento e como a última vez que por aqui andámos a B. era bem pequenina, quisemos mostrar-lhe esta pérola, há muito descoberta pelos turistas mas que tem mantido a sua traça e tem sabido guardar a genuinidade das suas gentes.
 Quis a sorte que Jacinto Fernandes um alto burguês pombalino se enamorasse por este lugar e em finais do século XVIII mandasse edificar uma povoação com direito a planta e estilo pombalino. Por isso o largo do Marquês de Pombal se afirma como centro de onde se parte para uma caminhada tranquila pela rua principal em direcção ao mar, pode voltar-se por qualquer uma das ruas paralelas todas preenchidas por casas caiadas irrepreensivelmente e com contornos a azul.


 em cada esquina vemos o comércio a piscar olho aos turistas. Ao fundo a bela praia dos buizinhos encaixada entre escarpas.

E descendo ao pequeno porto numa enseada encontramos um dos melhores miradouros.


Mas reza a história que é a ilha do pessegueiro o ex-libris desta aldeia piscatória.
Esta ilha naviforme toda de arenito dunar e assente em xisto tem encantado ao longo dos tempos poetas e cantores. Foi no tempo dos Filipes que houve uma tentativa nunca acabada de aí se erguer um forte para impedir piratas e corsários de atacar as povoações.
Não tinhamos a laranja para roer na falésia,  mas fomos ao encontro da 
 Ilha a trautear a canção "e a brisa vai contando velhas lendas de  portos e baías de piratas "....
E esta ilha tem história e vestígios arqueológicos que atestam a passagem de cartagineses e romanos.

 Agora atestamos a nossa passagem e postamos a lembrança do Alentejo , porque acreditamos que 
Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Covo. ..






segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Por terras de Alentejo:(take 2) Vila Nova de Mil Fontes a princesa da costa alent

"A viagem não acaba nunca, só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em lembrança,  em memória,  em narrativa."
    JOSÉ SARAMAGO, Viagem a Portugal 

"Arcanjo"
Começámos a visita a Vila Nova de Mil Fontes pelo farolim, num dos sítios mais emblemáticos onde se tem uma vista deslumbrante num raio de 360 graus.
O Atlântico claro está, com a praia de Mil fontes e a praia das Furnas. Do outro lado a foz do Rio Mira e a vila ao longe, atrás do forte de S. Clemente.

Caminhar do farol à localidade é uma tradição que os locais gostam de fazer e que os permite ver o rio Mira em todo o seu esplendor.



 Por aqui, mesmo já no Outono permanecem muitos turistas, aqueles que querem os lugares com mais calma e que têm assim o privilégio de conhecer melhor a simpatia dos alentejanos.
É sábado e o largo está vazio. Descemos ao porto das barcas, também conhecido como portinho do canal.
,
 Continua a ser um importante e activo porto de pesca, mas é sem dúvida talvez o mais bonito recanto desta vila. E tem um dos melhores e mais belos por-de-sol.
Conjugou-se a hora com a nossa localização privilegiada e tivemos um belo crepúsculo esta tarde.

Que viagem abençoada....

Por terras de Alentejo: (take 1) Ferreira do Alentejo

"A percorrer o Alentejo nem me fadigo nem cabeceio de sono... Tenho sempre onde consolar os sentidos, mesmo sem recorrer aos lugares selectos dos guias."
   Miguel  Torga, Portugal-Alentejo.
Começámos por entrar em Ferreira do Alentejo e deparamo-nos de imediato com o ex-libris da Vila - a capela  do Calvário ou capela de Santa Maria Madalena. Surpreende-nos encontrar tantas igrejas e monumentos religiosos por estas terras. Mas esta capela merece destaque pela originalidade arquitectónica, a sua forma cíclica com uma coroa no cume, toda cravejada de negras pedras impoe-se  ao olhar e não deixa de ser um monumento a admirar.
No cento da vila encontra-se um belo largo com a câmara municipal e todos os seus serviços dispostos: junta de freguesia, arquivo municipal, serviços de água...mas é a beleza da Casa Verde que se destaca num extremo do largo.

A marcar o peso económico da agricultura nesta terra. Estamos na capital do azeite. É aqui que se encontra o maior produtor de azeite do mundo - A marca Oliveira da Serra
Ainda fomos até  à  Herdade do Marmelo,  queriamos aprender mais sobre o processo de fazer azeite, mas infelizmente as visitas ao lagar exigem marcação prévia. Fica para uma próxima oportunidade.
Quando se visita um lugar quer saber-se a história e este parece que segundo a tradição  popular se deve à bravura da mulher de um ferreiro que teria defendido a porta do castelo com dois malhos.  Ah, valente!!!!
Talvez por essa valentia haja cantos e gentes com garra e memória....
Nós levamos gravada esta bonita imagem...

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Digam lá que os nossos espantalhos não são giros?!

"Dorothy (...) encontrou um espantalho pendurado num tronco. Dorothy soltou-o e ele disse-lhe que queria ter um cérebro para poder pensar. Então Dorothy convidou-o. Venha comigo, o Feiticeiro de Oz lhe dará um."
   Baum, L. Frank. O Feiticeiro de Oz. Relógio d'agua.
Quando estivemos na festa de Outono de Serralves, eu e a B. Passámos grande parte do tempo na oficina " à volta da palha" a fazermos espantalhos. Já vos disse isto. Melhor, fizemos a estrutura de quatro espantalhos. Ontem à tarde, depois dos deveres feitos, a B. com a sua criatividade de designer ajudou-me a dar forma e terminámos os nossos espantalhos.
Aproveitámos meias desaparelhadas  ( temos um saco cheio dessas peças únicas que inexplicavelmente se vão perdendo do par. Ainda gostava de perceber este fenómeno, não há semana que não tenha uma meia desaparelhada....) restos de tecidos, roupa velha, jornais antigos....para fazer as cabeças e vestir cada um dos espantalhos.
A tomar conta das alfaces e do alho-francês colocámos o casal de horticultores, Gertrudes e Jaime.
Presa a uma estaca frente à framboeseira e ao chuchu está a nossa eco baby que também tem a missão de proteger um dos abrigos de inverno dos insectos. Assim, não se sente sozinha e em breve terá novos amigos.
A nossa mulher das Couves, D. Maria repolho está orgulhosa a ajudar as couves-roxas e os espinafres a crescerem mais tranquilos.
Estas duas novas culturas foram obra do meu trabalho desta manhã.
E agora que na horta temos estes novos habitantes muitas histórias acontecerão certamente no inverno.



domingo, 25 de setembro de 2016

Fomos à festa de Outono de Serralves fazer espantalhos!

Plantoir, Claes Oldenburg e Coosje van Bruggen, 2001
Poderíamos encontrar melhor forma para celebrar a chegada do Outono do que a festa de Serralves?! Claro que não!!!
Há 8 anos que a festa de Outono se realiza em Serralves, perto do fim de Setembro, e, até este ano era sempre um só dia. Embora a edição deste ano decorra pela primeira vez durante todo o fim-de-semana, eu e a B. optamos por continuar a preferir o sábado e hoje lá fomos todas expectantes e....cautelosas! A última festa de Outono em que participámos juntas foi há 3 anos e a bem dizer deixou-me um fardo pesado na memória, rebocaram-me o carro!!! Pois! Logo, este ano fomos só depois do almoço mas sem pressa de chegarmos, tinha era de encontrar um lugar de estacionamento correcto e sem correr riscos....bem, isso custou-nos uma boa mas animada caminhada.
Assim que entrámos percebemos que o parque  se tinha vestido com a nova estação. De programa na mão seguimos em direcção ao Prado. 


Envolvemo-nos na multidão pela Alameda dos liquidambares, passamos a casa de Serralves, essa jóia de art deco, outrora casa do conde Carlos Alberto Cabral e descemos a Parterre central.



Nestes dias de festa os 18 hectares do parque parecem pequenos, mas é sempre fascinante sentir esta imensidão de gente a dar formas outras aos espaços.
Percorrer o parque é fazer uma viagem pela vasta fauna e flora que se estende numa diversidade harmoniosa hábil e meticulosamente criada por Jacques Greber nos anos 30 e que em 2001 foi reabilitado num projecto que vale a pena conhecer pormenorizadamente aqui http://www.serralves.pt/pt/parque/projeto-de-recuperacao-do-parque/

Depois do lago, no passeio da levada vimos os burros de Miranda 

E finalmente avistamos o Prado em festa!
 
Tantas oficinas, oportunidade para aprendermos e construirmos coisas.... a B. quis começar pelos moinhos de vento!

Mas  o nosso grande objectivo era fazer espantalhos para a horta! Antes, conseguimos improvisar uns abrigos de inverno para os insectos amigos das plantas.

Foi giríssimo estarmos ali sentadas a unir pedaços de palha com fios e a tentar dar forma aos espantalhos entre batalhas de palha. Os miúdos  (e alguns graúdos também) da cidade deram-se à liberdade de brincarem e atirarem palha numa autêntica chuva a que ninguém escapava. E sabia bem ver a felicidade estampada naquela malta. E por ali nos demorámos e entretemos até por volta das 19h.
Ainda conseguimos espreitar o mercado da festa e a feira de artesanato urbano.

E pronto, amanhã haverá mais festa! Quanto a nós cá estaremos para o ano que agora há que subir novamente tudo até aos portões e daí até ao carro....que boa iniciativa esta para unir portuenses e não  só, permitindo o regresso a outros tempos numa época em que são preciosos os momentos de convívio e de partilha....quanto aos espantalhos, esperem em breve por novo post e irão encontrá-los na horta!;)

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Apanhar perpétuas roxas no Cantinho das Aromáticas

"(...)os olivais que nos cruzaram, ajoelhavam...Havia nuvens no ar que nos seguiam...
O vento...acompanhou-nos, veio deitado nas nuvens...os corvos seguiram-nos também. ..
E voavam entre eles as andorinhas (...)o ar...todo o ar cheirava a urze. "
         António Patrício,  Pedro, o cru.
Quando se entra no Cantinho das Aromáticas e olhamos a beleza da quinta com o pombal ao fundo, não é difícil imaginar Pedro e Inês apaixonados a correrem para se esconderem na construção circular de pedra...o Amor proibido que constitui uma das mais belas ( e trágicas) histórias da nossa própria História, o amor entre D. Pedro e D. Inês de Castro, cruza-se com a quinta onde desde 2002 se encontra este promissor projecto do Cantinho das Aromáticas cuja história pode encontrar aqui http://www.cantinhodasaromaticas.pt/o-cantinho/
Andava já há algumas semanas para ir ao Cantinho comprar uns vasos de aromáticas para colocar no quintal, quando numa espreitadela rápida pelo site de modo a ver novamente a direcção  ( sim, que nas duas vezes em que já lá tinha ido andei  perdida!!!) Li que esta quinta-feira haveria colheita de perpétuas. Ena, não iria perder esta oportunidade.


Assim que se entra na quinta apetece cantar a canção do Rui Veloso
Tília trevo e açafrão 
Erva pura pimentão 
Louro salsa e cidreira
Urze brava e dormideira
É esse conjunto de cheiros que se inala a cada passo. Todas as plantas aromáticas que possamos imaginar existem aqui em belos e cuidados canteiros.  Mais de 150 espécies, todas Bio.
Que fantástico projecto. Não  é  por acaso que esta é a única quinta urbana certificada como produção totalmente biológica desde as sementes ao produto final. E o seu mentor deve estar bem orgulhoso pelos prémios já ganhos. Luís Alves, o jovem empreendedor que sonhou um projecto sustentável já foi o responsável pelos jardins de Serralves, talvez isso explique a beleza de cada recanto...
E o amor à natureza aromatizada. Um amor que se continua a viver por aqui...
Uma herança inestimável às novas gerações . Mas  voltemos às perpétuas roxas, afinal foi por elas que esta tarde vim...


Que flores tão mágicas, pequenas e delicadas e grandes nos seus  poderes. Quem diria que estas herbáceas são anti-inflamatórios naturais e que são preciosas aliadas de cantores. Parece que esta infusão era uma das preferidas da Amália. Pena que não tenha podido experimentar a infusão do Cantinho!
Durante estas curtas horas de voluntariado na quinta tive o prazer de encontrar uma simpática e "experiente" companheira que me foi falando da sua magnífica experiência aqui pelo cantinho e de um grupo habitue com quem tem partilhado estes momentos tão tranquilizantes. O tempo passou rápido. A Tia Graça ( tia do engenheiro Luís, tia nossa também), uma delícia de senhora, que na sua simplicidade nos ensina a colher as flores e com gestos delicados nos envolve nestas tarefas, a horas nos fez terminar o trabalho e ainda posou connosco.

No final, na loja da quinta havia chá de Erva-príncipe e de amor perpétuo com biscoitinhos a esperar por nós. Ah, e a simpatia do Luís Alves que hoje fazia anos. Tivemos assim oportunidade de lhe dar os parabéns e desejar felicidades, que é aquilo que se espera deste projecto.
E agora enquanto escrevo este post saboreio com mais saber a infusão de perpétuas roxas com a esperança de regressar na próxima quinta-feira para continuar a ajudar na colheita.