sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Inspirar Arte ou uma tarde na Miguel Bombarda!

De regresso ao Porto decidi dar um pulo à baixa. Hoje tinha vontade de ver as novas exposições da Miguel Bombarda já que no dia de inauguração das exposições simultâneas não pude dar lá um pulinho!
Passear no quarteirão das artes portuense é por si só uma experiência gratificante e higiénica, lava-nos a alma, alimenta-nos o espírito e faz-nos olhar devagar...
Esta rua é de facto alternativa, uma boa alternativa! Soube transformar-se e hoje é um lugar onde convive bem a tradição com a inovação, o comércio tornou-se criativo e há uns quantos lugares que têm a originalidade de um novo conceito citadino servindo de mola de apoio às galerias.



A rua mais trendy da invicta oferece uma série de alternativas desde mercearias, lojas de design e de música, restaurantes e casas de tapas, hostels e cabeleireiros todos imbuídos do mesmo espírito, a diferença.
Há alguns anos que compro especiarias ao quilo na Flor de Açafrão. E não deixo de passar no CCB nem que seja para ficar a par dos eventos culturais e tomar um café na solarenga esplanada.

Esta tarde escolhi a Ap' arte galeria, queria ver quão feliz poderia ser o casamento entre um artista algarvio e um alemão.


 Muito interessante esta exposição de Nuno Santiago e Georg Scheele. Luminosa, um casamento feliz entre os quentes óleos da pintura de Santiago a quebrarem o frio mármore meticulosamente esculpido de Scheele.
Depois de beber com os olhos e a alma nada melhor que um chá na Rota do Chá.
Escolhi um Oolong de Taiwan: Dim sum cha " o chá que vem do coração". 
Que saboroso final de tarde!



quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Por terras de Alentejo: (take 4) Ao longo do rio Sado com paragem em Alcacer do Sal

Tal como escreveu Alexandre Herculano: " Alcácer achava-se no séc. XII decaída da sua anterior grandeza, mas ainda se distinguia  pelo pitoresco do sítio e pelo seu aprazível aspecto."
 Embora muitos não saibam esta cidade alentejana tem uma longa história e já foi em tempos a capital de uma província muçulmana -Al-kassar. Depois dos romanos, os muçulmanos ocuparam a cidade durante cerca de 400 anos e deram-lhe o nome de Al-kasser, que significa precisamente castelo, o castelo que D. Afonso II conquistou e  entregou com foral à ordem de Santiago.
Hoje mantém a sua toponímia acrescida de sal pela importância que este teve em termos económicos. É esta cidade de Alcácer do Sal, que hoje se afirma como paragem obrigatória para quem vem do sul.
Vindos da Comporta temos a oportunidade de atravessarmos a magnífica ponte metálica estilo Eiffel, uma ponte que liga o sul à cidade e que permite a passagem da navegação marítima do Sado. Esta ponte teve obras de restauro  em 2008 e  desde aí tem o seu tramo levadico operacional  possibilitando a passagem das embarcações à vela.
Já na margem direita do Sado vêem-se as riquezas arquitectónicas de traço muçulmano...
E subindo ao Castelo verifica-se a beleza da paisagem que se estende por campos de arroz e milho ao longo das margens do rio, até entrar na reserva natural do estuário do Sado.

Haverá maior beleza que a destas searas e lezírias  a emoldurar o azul do rio e do céu? Continuo a admirar a inteligência do povo muçulmano...não foi ao acaso que edificaram as suas cidades. E esta, guarda bem a memória da sua presença, quer na arquitectura quer nas culturas. Haverá certamente alguma ligação às gentes desta terra, começando pelo matemático Pedro Nunes, passando por Bernardim Ribeiro até ao prof. Francisco Gentil Martins.
Mas descendo novamente à urbe aproveitamos para passar na feira de Outubro e adquirirmos alguns produtos endógenos. ..

Por aqui encontramos bons queijos, azeitonas temperadas com óregãos, mel e saborosos doces à base de frutos secos.
Não podemos prosseguir viagem sem uma pausa para café e uma deliciosa queijada de amêndoa e pinhão.
 Confirmamos a riqueza gastronómica desta pitoresca terra através da sua doçaria conventual. Nham....

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Por terras de Alentejo: (take 3) Esse lugar mágico chamado Porto Covo

" É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e traçar caminhos  novos ao lado deles. É preciso  Recomeçar a viagem. Sempre."
   JOSÉ SARAMAGO in viagem a Portugal 
Regressar a Porto Covo é como revisitar um amigo que já não se vê há algum tempo mas que nos parece que ainda o vimos no dia anterior. É uma viagem de reconhecimento e como a última vez que por aqui andámos a B. era bem pequenina, quisemos mostrar-lhe esta pérola, há muito descoberta pelos turistas mas que tem mantido a sua traça e tem sabido guardar a genuinidade das suas gentes.
 Quis a sorte que Jacinto Fernandes um alto burguês pombalino se enamorasse por este lugar e em finais do século XVIII mandasse edificar uma povoação com direito a planta e estilo pombalino. Por isso o largo do Marquês de Pombal se afirma como centro de onde se parte para uma caminhada tranquila pela rua principal em direcção ao mar, pode voltar-se por qualquer uma das ruas paralelas todas preenchidas por casas caiadas irrepreensivelmente e com contornos a azul.


 em cada esquina vemos o comércio a piscar olho aos turistas. Ao fundo a bela praia dos buizinhos encaixada entre escarpas.

E descendo ao pequeno porto numa enseada encontramos um dos melhores miradouros.


Mas reza a história que é a ilha do pessegueiro o ex-libris desta aldeia piscatória.
Esta ilha naviforme toda de arenito dunar e assente em xisto tem encantado ao longo dos tempos poetas e cantores. Foi no tempo dos Filipes que houve uma tentativa nunca acabada de aí se erguer um forte para impedir piratas e corsários de atacar as povoações.
Não tinhamos a laranja para roer na falésia,  mas fomos ao encontro da 
 Ilha a trautear a canção "e a brisa vai contando velhas lendas de  portos e baías de piratas "....
E esta ilha tem história e vestígios arqueológicos que atestam a passagem de cartagineses e romanos.

 Agora atestamos a nossa passagem e postamos a lembrança do Alentejo , porque acreditamos que 
Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Covo. ..






segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Por terras de Alentejo:(take 2) Vila Nova de Mil Fontes a princesa da costa alent

"A viagem não acaba nunca, só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em lembrança,  em memória,  em narrativa."
    JOSÉ SARAMAGO, Viagem a Portugal 

"Arcanjo"
Começámos a visita a Vila Nova de Mil Fontes pelo farolim, num dos sítios mais emblemáticos onde se tem uma vista deslumbrante num raio de 360 graus.
O Atlântico claro está, com a praia de Mil fontes e a praia das Furnas. Do outro lado a foz do Rio Mira e a vila ao longe, atrás do forte de S. Clemente.

Caminhar do farol à localidade é uma tradição que os locais gostam de fazer e que os permite ver o rio Mira em todo o seu esplendor.



 Por aqui, mesmo já no Outono permanecem muitos turistas, aqueles que querem os lugares com mais calma e que têm assim o privilégio de conhecer melhor a simpatia dos alentejanos.
É sábado e o largo está vazio. Descemos ao porto das barcas, também conhecido como portinho do canal.
,
 Continua a ser um importante e activo porto de pesca, mas é sem dúvida talvez o mais bonito recanto desta vila. E tem um dos melhores e mais belos por-de-sol.
Conjugou-se a hora com a nossa localização privilegiada e tivemos um belo crepúsculo esta tarde.

Que viagem abençoada....

Por terras de Alentejo: (take 1) Ferreira do Alentejo

"A percorrer o Alentejo nem me fadigo nem cabeceio de sono... Tenho sempre onde consolar os sentidos, mesmo sem recorrer aos lugares selectos dos guias."
   Miguel  Torga, Portugal-Alentejo.
Começámos por entrar em Ferreira do Alentejo e deparamo-nos de imediato com o ex-libris da Vila - a capela  do Calvário ou capela de Santa Maria Madalena. Surpreende-nos encontrar tantas igrejas e monumentos religiosos por estas terras. Mas esta capela merece destaque pela originalidade arquitectónica, a sua forma cíclica com uma coroa no cume, toda cravejada de negras pedras impoe-se  ao olhar e não deixa de ser um monumento a admirar.
No cento da vila encontra-se um belo largo com a câmara municipal e todos os seus serviços dispostos: junta de freguesia, arquivo municipal, serviços de água...mas é a beleza da Casa Verde que se destaca num extremo do largo.

A marcar o peso económico da agricultura nesta terra. Estamos na capital do azeite. É aqui que se encontra o maior produtor de azeite do mundo - A marca Oliveira da Serra
Ainda fomos até  à  Herdade do Marmelo,  queriamos aprender mais sobre o processo de fazer azeite, mas infelizmente as visitas ao lagar exigem marcação prévia. Fica para uma próxima oportunidade.
Quando se visita um lugar quer saber-se a história e este parece que segundo a tradição  popular se deve à bravura da mulher de um ferreiro que teria defendido a porta do castelo com dois malhos.  Ah, valente!!!!
Talvez por essa valentia haja cantos e gentes com garra e memória....
Nós levamos gravada esta bonita imagem...

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Digam lá que os nossos espantalhos não são giros?!

"Dorothy (...) encontrou um espantalho pendurado num tronco. Dorothy soltou-o e ele disse-lhe que queria ter um cérebro para poder pensar. Então Dorothy convidou-o. Venha comigo, o Feiticeiro de Oz lhe dará um."
   Baum, L. Frank. O Feiticeiro de Oz. Relógio d'agua.
Quando estivemos na festa de Outono de Serralves, eu e a B. Passámos grande parte do tempo na oficina " à volta da palha" a fazermos espantalhos. Já vos disse isto. Melhor, fizemos a estrutura de quatro espantalhos. Ontem à tarde, depois dos deveres feitos, a B. com a sua criatividade de designer ajudou-me a dar forma e terminámos os nossos espantalhos.
Aproveitámos meias desaparelhadas  ( temos um saco cheio dessas peças únicas que inexplicavelmente se vão perdendo do par. Ainda gostava de perceber este fenómeno, não há semana que não tenha uma meia desaparelhada....) restos de tecidos, roupa velha, jornais antigos....para fazer as cabeças e vestir cada um dos espantalhos.
A tomar conta das alfaces e do alho-francês colocámos o casal de horticultores, Gertrudes e Jaime.
Presa a uma estaca frente à framboeseira e ao chuchu está a nossa eco baby que também tem a missão de proteger um dos abrigos de inverno dos insectos. Assim, não se sente sozinha e em breve terá novos amigos.
A nossa mulher das Couves, D. Maria repolho está orgulhosa a ajudar as couves-roxas e os espinafres a crescerem mais tranquilos.
Estas duas novas culturas foram obra do meu trabalho desta manhã.
E agora que na horta temos estes novos habitantes muitas histórias acontecerão certamente no inverno.