terça-feira, 1 de novembro de 2016

Marmelada, Halloween e estórias dos Santos....

Ontem foi noite de " doçuras e travessuras"!!!! Isto quer dizer que estamos no tempo de Halloween.
O tempo da B. que também já foi o meu tempo. Sou de uma geração que conheceu as festas de Halloween através da disciplina de Inglês no ensino preparatório e depressa começámos a vestir-nos de bruxas e vampiros com roupas velhas improvisadas e muita paciência e ajuda da mãe. Quando eu era criança e adolescente não havia festas nem comércio alusivo ao Halloween, vestidos a rigor e em grupos de vizinhos calcurreavamos as ruas em redor de casa a pedir doces e assim nos divertiamos, depois vinhamos para casa com os sacos cheios de rebuçados, chocolates, bolachas e biscoitos e felizes comíamos o que tinhamos ganho.
Hoje a noite de Halloween não mudou muito, só tem mais glamour e artificialismo. As lojas decoram-se com abóboras, aranhas e vampiros. Há toda uma panóplia de artigos decorativos, fatos a venda e até bolos alusivos ao tema. A B. desde sempre se vestiu e foi pedir, ora com vizinhos ora com as amiguinhas. Se bem, que aqui para as nossas bandas não haja grande tradição e por isso tivemos de mudar geograficamente o local de " ataque"!!!! Eheheh
Mas antes de vos contar como correu a nossa noite, e, como falamos de tradições vou divagar sobre marmelos e marmelada.
Julgo que não deve haver casa portuguesa onde não haja marmelada, esse doce em tigelas que atravessa gerações.
Sempre foi a minha mãe que fez a nossa marmelada. Ela que cresceu em casa grande de mulheres e que aprendeu da forma mais tradicional a fazer marmelada e geleia!
Eu sou uma apreciadora de ambas. E acho que os marmelos são mesmo "maçãs de ouro". Gosto do seu perfume, do cheiro da marmelada acabada de fazer, de os assar a acompanhar carne....não foi a toa que os gregos os imortalizaram!!!! Parece que Afrodite terá oferecido uma maçã de ouro a Páris e que este ao escolher o Amor de Helena terá nessa altura dado origem à célebre Guerra de Tróia. O que é certo é que hoje sabemos que essas referidas maçãs de ouro são os marmelos. Fruto também ligado à fertilidade e de inúmeros benefícios....
Bem, ontem vi uns marmelos bem bonitos na frutaria onde fui às compras e não resisti. Lembrei-me da receita de uma amiga e meti mãos à obra!!!

Esta marmelada tem a vantagem de dispensar a fase de descascar os marmelos ( a mais chata e trabalhosa, diga-se). Então vamos lá à bendita receita.
Colocam-se os marmelos de molho em água durante um par de horas. A seguir, com uma esponja de lavar louça esfregam-se bem para lhes retirar a penugem e as impurezas. Depois cortam-se aos cubos, retiram-se os pés e os caroços e colocam-se com açúcar numa panela.
Vai ao lume durante uma boa hora em lume brando e sempre atenta vai-se mexendo durante toda a cozedura. Por último passa-se com a varinha mágica e volta ao lume até fazer ponto estrada. Quando estiver nesse ponto é só deitar em tigelas.
Pronto, foi a minha estreia. Fiz a minha primeira marmelada!!!! Estou ansiosa por provar daqui a dias, mas estou orgulhosa, ficou bem bonita!
Depois, fomos com a nossa " zombie bailarina" a um jantar de Halloween onde não faltou " porto tónico ensanguentado",  "sangria de vampiro", "chapéus enfeitiçados   de bruxas", " os porquinhos jazem no prato" e muitos meninos vestidos a preceito para uma noite mágica!!!!


sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Como em Outubro pega tudo....fui tratar da minha horta!





Estou estafada! Ter uma horta dá trabalho, sem dúvida....e ainda que os últimos estudos digam que andar nestas lides e sujarmo-nos com terra é o melhor dos antidepressivos, tenho a dizer o seguinte: primeiro - não ando deprimida; segundo - saio da horta mais morta que viva!; terceiro - odeio ervas daninhas, sobretudo urtigas.
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Pronto, agora que já desabafei....posso contar-vos o que andei a fazer esta manhã.
A maior parte do tempo e das energias ficaram por conta das ervas!!!! Quando cheguei à horta parecia que tinha plantado um magote de ervas, até cheguei a duvidar se teria plantado mesmo os espinafres, é que nem se viam!!!! Se o resto das plantitas crescesse à mesma velocidade que estas urtigas, baldroegas, trevos e sei lá mais o quê....estava bem feliz!!!! Mas pronto, a natureza tem sempre forma de se afirmar e há que arrancar estas espécies antes que engulam a minha plantação!
Depois da horta quase limpa, comecei a preparar os regos para os meus novos rebentos: brócolos!!!
As minhas Brassicaceaes: couve-roxa, espinafres e brócolos

No canto direito da horta decidi plantar bracicaceaes, ou seja, uns exemplares da família das couves. Optei por couves-roxas, espinafres e brócolos. Ali é o canto da D. Maria Repolho, é ela quem afasta os pássaros e vigia as minhas  pequeninas roxas e verdes sob o olhar atento da cerejeira.
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Agora já se parece mais uma horta verdadeira já temos: couves-roxas, espinafres, brócolos, acelgas, beterrabas, alfaces, alho-francês.
Árvores de fruto já são 4: oliveira, cerejeira, limoeiro e o meu pé de Sechium edule que já dá chuchus!!!


Ainda houve tempo para tratar do meu jardim aromático. Sim, que também tinha vasos novos para mudar.

Aqui ao pé dos morangueiros já há plantas suficientes para fazer um bom raminho de cheiros: temos perpétuas roxas e brancas vindas directamente do Cantinho das Aromáticas. 

Mas também há tomilho, um maracujazeiro, uns pés de pimentos picantes, uma planta de aloe vera perto de umas sardinheiras.
cebolinho, manjericão, hortelã, segurelha...
Bem, agora que olho para estes verdes todos, sinto-me cansada mas orgulhosa, já é um belo começo!!! Eheheheh



quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Chegou o FIMP e nós já fizemos as nossas marionetas!

Tenta. Fracassa. Não importa. Tenta outra vez.
 Fracassa de Novo. Fracassa melhor.
    Samuel Beckett
O FIMP - Festival Internacional de Marionetas do Porto chega, desde há mais de duas décadas à cidade,  e com ele uma série de artistas e companhias de várias partes do mundo para nos mostrarem o que de melhor há nesta arte de animar e manipular marionetas. Era o festival de Isabel Alves Costa, mas desde o seu desaparecimento que é dirigido e muito bem por Igor Gandra.
Até dia 23, próximo Domingo, há muitos e bons espetáculos, workshops e Wips (mostra de trabalhos em processo), uma livraria ambulante e alguns encontros inesperados em vários locais da cidade. Podem consultar todo o programa aqui
http://www.fimp.pt/
A propósito de workshops fizemos o nosso na tarde de Domingo . Vestimos a pele de Família Ramos e lá fomos até à travessa da Formiga, sala de ensaios e casa-mãe do Teatro de Ferro.
Somos fiéis seguidores do excelente trabalho desta companhia e temos um carinho muito especial pelo Igor Gandra e Carla Veloso. Tem sido sempre surpreendente vê-los trabalhar, com muita técnica e profissionalismo. Uma base de investigação constante, o privilégio por autores portugueses, a itinerancia e as intervenções e projectos pedagógicos têm sido a marca desta companhia que, nos parece cada vez mais afirmar-se como uma alternativa aos espetáculos demasiado ruidosos, espalhafatosos, fantasiosos e outros epítetos do género para a generalidade do marasmo cultural em que caímos. Nesta companhia as experiências em família são bstante valorizadas e por isso, no Fimp este workshop fazia todo o sentido.

Começámos por receber as explicações e orientações sobre o processo que íamos iniciar. O objectivo era construir em duas horas ( OMG, 2h!!!!! Só! !!!) uma marioneta a partir dos ramos que sobraram das podas de árvores da cidade. Transformar desperdício vegetal numa forma animada, dar-lhe um nome e vida própria. O início de uma história. ...



Depois de conversarmos em reunião de conselho familiar hiper-rapido decidimos tentar construir uma bailarina! Sim, que a B. adora dançar....Felizmente, o homem da casa tomou as rédeas da execução, que é como quem diz, serrou, cortou, aparafusou, pregou...enfim, fez o trabalho quase todo. Eu e a B. somos muito boas a dar ideias e a ligar aos pormenores, mas usar aquelas ferramentas era mais complicado! Eheheheh.

Bem queríamos conseguir fazer um exemplar que pudesse fazer parte dos da família ramos...e, afinal a B. achou que afinal havia tempo para fazermos um amiguinho para a bailarina!

Durante estas duas horas parece que fizemos uma boa equipa. Conseguimos concretizar o nosso projecto e divertimo-nos imenso com as nossas inabilidades e tentativas engenhocas, e percebemos que as outras famílias estavam também bastante divertidas e criativas. No final, houve uma pequena encenação de apresentação dos criadores e seus produtos e foi um final apoteótico....
Apareceram bonecos árvore-martelo.


 Bonecas que gostavam de fazer massagens e de dar apertos de mão....



Um ouriço, bonecos com várias cabeças....eheheh....todo um mundo de improváveis marionetas que passaram a fazer parte da família dos seus criadores!
Nós também apresentámos as nossas criações: a Bailarvorina e o seu amigo Micas Verde

 Agora  Bailarvorina e o Micas verde estão no quarto da B. Juntaram-se a um fimpalito e outras marionetas e de noite ganham vida.....😉




quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Sofrer para ver MIRÓ em Serralves!!!!!

http://www.serralves.pt/pt/actividades/joan-miro-materialidade-e-metamorfose/A exposição mais mediática do momento é, sem dúvida,  a de MIRÓ que está em Serralves! E de tal forma é a euforia que ver a exposição requer tempo e paciência.
Tudo começa na fase de aquisição do bilhete....espera-se numa longa fila. Longa e desorganizada, diga-se, pois as pessoas amontoam-se e desde a parte de fora do museu, melhor desde o portão da entrada até à bilheteira é uma confusão, com pessoas à espera e pessoas já de bilhete na mão a quererem sair e a tentarem passar. Bem, esta parte pode ser melhorada. A exposição só começou no dia 1 e daqui até finais de Janeiro acredito que o Museu vai conseguir melhorar e preparar-se para as enchentes diárias.
No meu caso, ao fim de 45 min.  tinha bilhete, que é o mesmo que luz verde para avançar jardim fora até à casa cor-de-rosa.
Parece que tive sorte e entrei logo na casa, mas já ouvi dizer que em alguns dias às vezes também é preciso esperar para entrar na casa, uma vez que a lotação é de cerca de 200 pessoas de cada vez. Aqui para nós, que ninguém nos ouve, gostaria de perceber qual é a fórmula mágica que permite aos seguranças controlar as entradas, se tudo é feito manualmente e a olhometro...
Lá dentro há que seguir o guia da exposição e o mapa para que a coisa tenha sentido!
Mas essa parte agrada-me. Como me agrada e muito que estes quase 85 quadros e tapeçarias sejam do Estado e estejam no Porto e em Serralves! É um feito!
Pese embora a polémica que envolveu todo este processo, e sobretudo o facto de estas obras de arte terem sido activos do banco BPN que o Estado comprou, o que é certo é que a decisão de tornar pública a sua exposição foi sem dúvida a mais acertada.
Gosto mais do termo exposição que "colecção" e, não sendo nada entendida em arte, concordo com os especialistas e críticos de arte que defendem que esta não é uma verdadeira colecção no sentido estrito em que se define o conceito de colecção. Mas, uma coisa é certa,  a exposição " Joan MIRÓ: materialidade e metamorfose" (sobre isto obtenha toda a informação aqui http://www.serralves.pt/pt/actividades/joan-miro-materialidade-e-metamorfose/ permite-nos viajar e descobrir quase 60 anos de trabalho deste pintor Catalão.

E a casa de arte deco não podia servir melhor, na sua grandeza artística, para acolher um dos mais importantes artistas do século XX.  A intervenção de Siza Vieira possibilita a sobriedade e a nudez da casa que se despe e transforma nesta missão de acolhimento e projecção das obras expostas.
Tal e qual como o nome indica podemos assistir às metamorfoses que os trabalhos de MIRÓ foram sofrendo, sobretudo ás transformações da linguagem pictórica. Embora as grandes obras, as mais emblemáticas e icónicas, pareçam não constar deste acervo, há todo um percurso que permite descobrir o longo processo de experimentação e o pensamento visual do artista.
Foi com grande satisfação que observei alguns dos trabalhos de tapeçaria que aqui ganham destaque.
Apesar de tudo, tempo, paciência, astúcia para ver de perto as obras sem encontrões, o espaço um pouco acanhado em que se pode visualizar um documentário do artista em labor....vale bem a pena ver esta exposição. E felizmente que há muitas pessoas também interessadas! Nota 20 para o curador Robert Lubar Messeri e para o projecto de Siza Vieira.
A não perder esta visita a MIRÓ. 

sábado, 8 de outubro de 2016

Um dia com sabor a pura amizade no Escritaria da Alice Vieira com a Prazeres!

"Ama os teus sonhos/ como o teu próximo
Ou como os sonhos/ do teu próximo 
Mas se o teu próximo / não tiver sonhos
Convém mandares o teu próximo/  para muito longe
Donde não te possa/  contaminar
   Alice Vieira, Um límpido silêncio  (poemas)
Poderia haver melhor forma de homenagear a escritora Alice Vieira que a de colocar todo um município a ler, reler, dramatizar, debater, desenhar, enfim...fazer tudo o que a imaginação e a vontade permitem em torno das obras desta Senhora?!  O festival literário de Penafiel - Escritaria deste ano faz-se com a vida e obra de Alice Vieira ( podem ver aqui todo o programa http://www.cm-penafiel.pt/pt-pt/destaques/destaques/escritaria-2016-vida-e-obra-de-alice-vieira.aspx?Action=1&M=NewsV2&PID=2488
E claro está que não poderia faltar à homenagem de uma das escritoras que marcou a minha infância e início da adolescência. Tenho as primeiras obras de Alice, desde Rosa minha irmã Rosa (1979), Lote 12, 2° frente, A espada do Rei Afonso, Chocolate à Chuva, Este rei que eu escolhi e Graças e desgraças na Corte de el Rei Tadinho, todos na sua primeira edição e todos lidos " num instantinho".... E não poderia haver frase mais assertiva que aquela que marca este Escritaria: " Há cheiros da infância que não morrem nunca, nem sequer envelhecem como a nossa pele."

E  lembro-me do cheiro dos livros da Alice e de como eles me faziam lembrar de outros cheiros, e de imaginar ou pelo menos tentar imaginar os cheiros tão bem descritos por ela nas suas intensas histórias. Durante vários momentos tentei imaginar se o cheiro do chocolate quente da Mariana e da Rita era o mesmo dos chocolates quentes que a minha mãe me fazia! Ah! E o peixe Zarolho? ! Eu também tive um Zarolho (ou vários, enfim...Até descobrir que morriam e iam parar à sanita e que num instantinho o meu pai corria a comprar outro igual, e nessa altura senti enormes remorsos e fiquei a matutar que era eu que os matava com as sucessivas batidas no vidro do aquário, qual experiência de verificação da veracidade da história de Mariana. E pronto, acabaram-se os peixes!!!!) 
São estas boas memórias de uma infância povoada de histórias proporcionadas também por esta escritora que se recordam ainda com mais prazer quando as partilhamos com uma amiga tão ligada aos contos e aos escritores como é o caso da Prazeres! Deixem que vos diga que esta é uma contadora de estórias à séria, daquelas que com o seu Kamishibai nos leva a viajar longe....mas sobre isso, hei-de contar-vos (tal como ela diz) tudo e tudo e tudo em outro post...eheheheh 
A Prazeres é uma dessas mulheres que quando entra nas nossas vidas nunca mais sai, passem os anos que passarem, e eu acho que sou abençoada com a sua amizade, por que ela é tão amiga do seu amigo e tão cheia de projectos e coisas boas para dizer e tem sempre palavras certas e acertadas para cada ocasião e tem tantos mas tantos sonhos, que eu quero-a é bem próxima para ser muiiiiiitooooo contaminada! Tufas! Assim, mesmo!
E hoje soube tão bem andar pelas ruas e lugares de Penafiel a palmilhar o escritaria da Alice  Vieira.  Primeiro a Biblioteca!
E os produtos dos leitores de palmo e meio. Nós parecíamos gaiatas a ouvir a sra. Directora da biblioteca a explicar-nos tudo, quais alunas atentas a aprender como se fez a exposição. 


 E depois prosseguimos rua fora, até espreitarmos tudo havia muita sola pra bater e conversa e gargalhadas, que há muito não estavamos juntas!



Tanta agitação deu-nos fomeca! E a Prazeres sugeriu (e muito bem, como sempre) irmos ao Vai de Roda! E fomos rodar uns belos rojões, eheheh

Ficámos gratas à  simpatia e mão da D. Fernanda e ainda bem que não nos fizemos rogadas aos rojões com batatinhas perfumadas, às deliciosas maçãs assadas e ao copo de vinho, pois, senão fosse o repasto farto não teríamos certamente aguentado tanto caminho acima caminho abaixo até chegarmos finalmente à Alice de carne e osso...eheheh, mas sobre essas voltas nada digo, prometi e cumpro e nem que me implorem ou azocrinem por mensagens acrescentarei mais uma palavra. Shiu! Fica para nos rirmos as duas, de novo...Até porque tudo isto foi graças à Alice!
Ainda bem que há pessoas assim, com palavras certas! E com afectos e sonhos. E como se pode ler no fim de Rosa minha irmã Rosa : " É preciso dar gente a esta casa. (...) E assim a casa vai adquirindo a sua vida própria, ou como diria a Mariana, os seus cheiros."  E é mesmo preciso continuar a dar vida a esta obra. Bem-haja Prazeres por este bocadinho. Bem-haja Alice por todos os cheiros que os seus livros me trouxeram e por todos os que a minha filha B.  Já descobriu...