quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Viagem a Ourense na rota das termas!

Um dos projectos para início de 2017 era voltarmos às termas de Ourense!
Desde que há três anos ficamos em Cortegada para a passagem de ano e descobrimos as termas do Prexiguero fazemos questão de pelo menos uma vez a cada ano voltarmos para esta experiência termal.
Este fim-de-semana aproveitámos o regresso do sol e lá fomos nós!
Começámos pela estância termal de Outariz.
Esta é uma das muitas estâncias que ficam na zona urbana de Ourense, nas margens do rio Minho divididas por três áreas distintas. Uma zona inteiramente grátis onde se pode desfrutar das piscinas de Outariz e da burga de Canedo.

Uma zona ajardinada logo ao descermos da ponte pedonal e onde se pode comtemplar o rio enquanto se toma um relaxante banho.  Para termos mais comodidade e um circuito completo decidimos mesmo fazer a incursão na parte paga. Mas convenhamos, o preço é quase insignificante (5.5€/ adulto) atendendo às possibilidades: dois circuitos termais compostos por 11 termas exteriores, 3 piscinas interiores e sauna e jacuzzi. Tudo isto durante 2h. É uma bênção para corpo e alma.

Claro que um paraíso a preço de saldos tinha de ter algum senão!!!! Não somos os únicos a gostar destes mimos, por isso a longa fila de espera obrigou-nos a uma pausa forçada de uma hora na esplanada da cafetaria.eheheh.....
Foi a forma de desfrutarmos desta experiência de modo inédito, modo nocturno com direito a céu estrelado. Mais, é difícil de desejar...
Primeiro, o circuito Celta com aguas quentes mas em movimento, jactos e túneis de água borbulhantes seguidos dos respectivos choques térmicos em tanques de água fria, não só melhora a circulação  como combate o stress. Diga-se que este circuito é mais divertido para as crianças devido à dinâmica que nos faz mesmo lembrar as civilizações celtas. Mas, eu sou mais da onda zen....eheheh. Claro que me demorei muito mais no circuito zen, totalmente de inspiração japonesa, com piscinas de madeira pontuadas por grandes pedras lisas e ovais, águas muito mais quentes (60 graus) e inteiramente relaxantes. Só vos posso dizer, que se pudesse submergir todos os fins-de-semana nestes banhos, a minha vida seria perfeita! ☺😀😃😄
120 minutos mais tarde saímos com uma leveza e enorme sensação de bem-estar, crentes de que todas as propriedades anunciadas fizeram em nós o efeito desejado! Só o estômago é que não relaxou o suficiente! Saímos os três esfaimados! Nada que não resolvessemos no centro de ourense numa fabulosa churrascaria. Recomendo Churrascaria Peregrinus, com boas carnes na grelha, polvo à galega e uma boa degustação de vinhos da região. Nós não nos coibimos de beber um ribeiro branco e de provarmos os licores da região.


Depois deste longo dia só mesmo uma noite de sono bem tranquilo nos esperava.
E o Domingo amanheceu ensolarado e ameno, a chamar a primavera.
Rumámos a Ribadavia, ao "local do crime", Termas do Prexigueiro, que é o mesmo que dizer às termas que descobrimos por acaso em passeio com os nossos companheiros das passagens de ano.
Não sei se é porque foram as nossas primeiras termas, mas são as minhas preferidas. São mais pequenas mas o seu enquadramento em pleno parque florestal dá-lhes o toque zen e um certo misticismo.
Estas termas são inspiradas num caminho de peregrinação japonês " kumano kodo" e cada piscina do circuito tem o nome de um templo xintoista.
Foi uma manhã bem relaxante a contemplar a beleza das mimosas.
Saímos radiantes deste intensivo fim-de-semana termal e já estamos a planear novo regresso!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Rua do Bonjardim com paragem n' O Pretinho do Japão!

Depois de uns dias intensos de chuva, ver o sol foi como despertar de uma longa letargia. Apeteceu-me logo sair e caminhar cidade fora.... Tinha umas coisas para comprar na baixa e por isso pareceu-me uma óptima ideia ir até à rua do Bonjardim. Tenho andado curiosa para conhecer um certo sitio!!!
Logo no início da rua (por acaso até julgo que é quase o fim!), começando pelo cruzamento com a rua Formosa encontra-se a casa Januário, uma mercearia das mais antigas do Porto, existe desde 1926, e onde gosto de ir comprar os produtos para a decoração dos bolos e cupcakes que aqui em casa são presença obrigatória nos aniversários e festas. Têm sempre bases descartáveis e pastas de açúcar em todas as cores, e como se aproxima o dia de S. Valemtim comprei uns produtos bem giros.
Continuando a subir a rua há uma outra loja onde se encontra tudo o que possamos imaginar para casa, desde utensílios a eletrodomésticos - é a casa César Castro.
Compras feitas, continuo a subir, apreciando esta rua tão pitoresca e que concilia bastante bem o mais tradicional e típico com o moderno e renovado comércio que aprendeu rapidamente a virar-se para o turismo.
Um bom exemplo é precisamente o Pretinho do Japão!
Uma amiga disse-me há pouco tempo que esta mercearia tem uma esplanada bem engraçada e que serve refeições. Ora, fiquei logo curiosa! Tinha mesmo de vir explorar esta novidade...
Fiquei logo encantada ao entrar nesta mercearia e ao ver um dos funcionários a partir bacalhau a uma cliente numa conversa corrida sobre a sua qualidade. Atravessei toda a mercearia devagar, para não me escapar nenhum pormenor desta loja bem decorada com alguns móveis estilo art deco e algumas relíquias a pontear cada espaço.
Parece que a nova gerência que há uns dois anos restaurou e ampliou a mercearia fez uma boa aposta. Agora há aqui um espaço para vinhos e conservas numa escolha em que a relação preço/ qualidade é bastante equilibrada. 
Mas a minha visita tinha como objectivo a esplanada!
E parece que sabiam da minha chegada! 😊eheheh que arrojada forma de receber os clientes!!!!
Claro que não sairam defraudadas as minhas expectativas. Este antigo logradouro entre prédios tornou-se num agradável jardim, muito acolhedor e convidativo a uma pausa relaxante em plena baixa. Muito calmo e com um serviço bem caseiro. Apetece ficar aqui a receber os raios de sol e a saborear esta quietação.
Que belo sítio para parar no meio do bulício da baixa portuense. E de volta à mercearia não consegui ficar indiferente aos frutos secos transmontanos e aos cafés a peso moídos na hora...hum! Fiquei fã do Pretinho do Japão.


sábado, 4 de fevereiro de 2017

Robalo ao sal em dia de temporal!

A chuva está para mim como o Trump para uma grande parte dos americanos (e não só!), não gosto mas tenho de aceitar.  Aliás, estou a ser generosa, porque detesto mesmo chuva! Reconheço a sua necessidade e aceito os fenómenos naturais, mas não gosto!
E com este tempo chuvoso, húmido e cinzento no Porto, há que aproveitar o tempo em casa da melhor forma. Tenho aproveitado estes dias para colocar as leituras em dia, mas também para cozinhar.
Ontem decidi fazer um belo robalo ao sal!

Depois dos exageros da quadra natalícia voltamos à alimentação saudável aqui em casa. Está tudo de quarentena verde.....a B. diz que voltamos à fase vegan! Mas não é bem assim, porque não abdico do peixe, ovos e carnes brancas. Mas estamos de relações cortadas com os hidratos de carbono e com os açúcares!!!!
Ontem, peguei num belo robalo ( amanhado com escamas, para o sal não entrar!) e enchi-lhe a barriga com um belo ramo de cheiros e umas rodelas de limão.

De seguida juntei ao sal, alecrim, tomilho e uma clara de ovo e escondi o peixe nessa mistura para o levar ao forno.
Enquanto o peixe assava, fui preparando uns legumes para cozer: brócolos, couve-flor e cenouras. Que em seguida foram a gratinar com molho de iogurte grego com queijo tipo philadelfia e polvilhado com mozarella.
Ao fim de uns 30 minutos tinha um jantar bem saboroso e saudável para dar início ao fim-de-semana!

Belo jantar! !!! Já que a chuva teima em ficar, nós também teimamos em tirar o melhor partido desta situação!
Agora deixo-vos a receita para experimentarem caso queiram:
Ingredientes 
- 1 robalo grande ( 1 kilo)
- 1 ramo de cheiros ( alecrim, tomilho, hortelã, coentros)
- 1 limão  ( às rodelas)
- 1 kilo de sal
- legumes: brócolos, couve-flor e cenoura
- 1 iogurte grego natural
- 2 colheres de sopa de creme de queijo 
- queijo ralado mozarella q.b.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

um café de saco no café Progresso, pois claro!

A fachada do antigo, mas bem conservado prédio, não engana. O café Progresso é o mais antigo café do Porto.
Acreditem, nunca até agora tinha entrado neste café. Infelizmente, os locais mais próximos de casa são a maioria das vezes os mais desconhecidos. Vamos adiando as visitas com outros objectivos que priorizamos. Eu até frequento bastante esta zona do Teatro Carlos Alberto, mas ainda não tinha calhado entrar no Progresso. Calhou agora e ainda bem. Foi uma agradável e quase bairrista experiência.

Entrar no Progresso é recuar no tempo até uma época mais glamorosa, ou melhor, é apreciar com tempo as coisas simples, como as conversas, a leitura demorada do jornal do dia com direito a comentários partilhados, ouvir os cumprimentos entre os clientes assíduos....
Diz a história que este café abriu num belo Domingo, 24 de setembro de 1899. Primeiramente era conhecido como botequim onde se vendia café e cevada às vendedeiras do Mercado do Anjo que se realizava defronte da Torre dos Clérigos. Chamaram-lhe Progresso por ser o nome de um café-concerto muito luxuoso de Sá da Bandeira que tinha fechado por essa altura. Os anos passaram e o café passou a ser frequentado pelos professores da universidade. Era o " feudo" do professorado por oposição ao " Piolho" que era o café dos alunos.
Com todas as mudanças, Mário Santos o seu proprietário durante várias décadas manteve uma tradição - a venda do melhor " moka" da cidade, ou seja, do café de saco.
Desde 2003 é Afonso Fernandes, por sinal amigo do sr. Mário, o novo proprietário e continua a manter a tradição, tendo inclusivamente cedido a receita deste café à Tenco que a faz exclusivamente para o Progresso.
Actualmente é um dos cafés mais visitado por turistas, mas continuam a ser os clientes assíduos a conferir-lhe o charme.
E depois desta experiência aromática tão deliciosa, confesso-vos que estou inteiramente de acordo com Carlos Tê "café de saco? Café expresso? Para mim tanto faz o veredicto, eu juro fidelidade ao café Progresso". 
Tenho dito!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A festa britânica que abriu a casa da música a todos

" A técnica é necessária como veículo de expressão e quanto mais perfeita fica a técnica, mais livre fica a mente para interpretar as ideias que animaram o compositor"
Guilhermina Suggia " the violoncello in music and letters
Entrámos entusiasmadas na Casa da Música, desta vez a casa estava aberta a todos e com possibilidade de lhe conhecermos as entranhas e os bastidores, e nós não queriamos perder esta oportunidade.
O tema mote deste novo ano na Casa é " God save the Queen". É o ano britânico. Temos casa aberta. Enquanto esperávamos pela hora de assistirmos ao ensaio geral do Coro decidimos participar numa visita guiada. Uma supervisita com elevado número de curiosos que, tal como nós, decidiram calcurrear corredores, bastidores, espreitar os espaços que normalmente estão vedados ao público em geral.
Subimos ao sétimo andar para acedermos ao pequeno terraço com vista para a rotunda.

Havia ainda tempo para conhecer a agenda e tomar um café no restaurante.

Depois juntamo-nos na recepção e aguardamos que o nosso guia nos levasse pela viagem musical. Acedemos à  Cibermusica, uma sala multifacetada onde nos aguardava um mini-concerto de piano totalmente autónomo e controlado por computador. Uma arrojada criação tecnológica que espantaria Mozart certamente.
Esta casa, num projecto tão dinâmico quão polémico, de autoria do holandês Rem Koolhaas, não deixa de nos surpreender. Parece uma verdadeira " caixa de surpresas" onde os espaços comunicam entre si, fazendo-nos perder a noção de interior e exterior, num jogo acústico desafiante dos sentidos e da imaginação. Parece que Koolhaas imaginou a Casa como um cubo de meteorito que aterrou na Boavista....e este cubo entranhou-se mesmo na cidade!
Na sala da Renascença fomos surpreendidas pela magia do Gamelao robótico, parte da orquestra de percussão tradinional da Indonésia, está ali para ser tocado com um simples click...uma das inovações do serviço educativo da Casa que permite até aos cidadãos com mobilidade reduzida acederem a uma fantástica experiência musical.



Do renascimento para a sala vip e um encontro com pequenas réplicas de alguns dos nossos painéis de azulejos. Uma homenagem a essa arte tão reveladora da identidade portuguesa!

Não é difícil de imaginar músicos famosos deslumbrados com a beleza desta sala enquanto degustam um bom vinho do Porto! Outro surpreendente espaço é o Foyer Nascente com os seus 17 m2 de vidro ondulado permitindo a entrada de luz natural na sala Suggia!
Mas como havia ensaio assistido de Remix Ensemble as cortinas do lado principal da sala estavam corridas. Deu ainda para subir ao bar suspenso e à sala 2, a sala vermelha que serve todo o tipo de iniciativas do serviço educativo e que estava a fazer as delicias da pequenada, pois, havia um enorme grupo de crianças de escolas da cidade.

 Tal como a têm descrito, esta casa é " inquietante, intrigante e dinâmica ", aliás foi assim que a viu o júri quando em 2007 lhe atribuiu o prémio do instituto real dos arquitectos britânicos.

E graças aos britânicos cá andamos nós e todos os que quiseram sentir a casa por dentro.



Mas, agora temos de correr até à grande sala, vamos assistir ao ensaio de " a vida das palavras" pelo Coro da casa da música sob direcção de Paul Hillier...e não nos podemos esquecer que os britânicos são hiper pontuais, tudo vai acontecer no tempo certo!

Que belo trabalho! Tal como william Byrd disse: a música em sintonia com a vida das palavras!
A abertura oficial do país tema da casa deste ano foi mesmo uma festa! Viva a rainha!