segunda-feira, 13 de março de 2017

Da Afurada a Espinho: bikes, ciclovias e não só!

É Domingo e temos a nossa nova bicicleta para estrear! A bela Urban Lady da easy cicle ( marca portuguesa) que ganhámos no passeio florido das Camélias e que queremos pôr a rolar em grande estilo.
Hoje decidimos fazer as ciclovias de Gaia. Começámos na Afurada com muito vento....
Ainda não tinhamos feito este trajecto! As primeiras pedaladas fazem-se com o rio Douro à nossa direita e permitem-nos acompanhar a Reserva Natural do Estuário do Douro e observar inúmeras aves de espécies migratórias e limicolas.
A primeira subida a flectir para sul é compensada pela magnífica paisagem, de um lado temos a imensidão do Cabedelo onde cada vez mais distante se avista ainda a cantareira e a Foz e à nossa frente abre-se o mar em direcção à Praia do Marbelo e à Madalena.

O final da manhã está ensolarado mas o vento não nos larga, obrigando-nos a pedalar mais céleres.



Atravessamos Canidelo, Lavadores e Salgueiros até alcancarmos a Madalena. Sempre com as dunas a ladear a ciclovia. 
Este cordão dunar bastante bem sinalizado e em processo de consolidação promove a sensibilização ambiental e mostra a importância da biodiversidade aqui existente e da conduta necessária para a sua conservação.



Seguimos por Valadares até ao Senhor da Pedra...e tivemos oportunidade de nos deleitar observando um passeio equestre pela praia.

A ciclovia em Miramar adentra-se por zona ribeirinha circundado o clube de golf e parece que por momentos estamos num pequeno paraíso verde.



A fome começava a apertar e ainda tinhamos esperança de comer um bom peixe na Aguda. Mas, os restaurantes por onde passámos estavam cheios e com fila de espera. Continuámos até à Granja e ao avistarmos Espinho não tivemos dúvidas que almoçariamos em breve! E se rapidamente pensámos nem hesitamos quando vimos o restaurante da Associação desportiva Rio Largo clube de Espinho.
Depois de umas lulas bem grelhadas apetecia um geladinho! Rumo à Esquimó, a todo o gás que a favor do vento era bem mais fácil deslizarmos....
Não é por acaso que se diz habitualmente que é mais fácil pensar de barriga cheia!
Tinhamos de decidir como faríamos o regresso. Não é que nos custasse pedalar até ao ponto de partida,  mas tinhamos o problema do vento e andar contra o vento à beira-mar não é tarefa fácil convenhamos. Daí que a alternativa parecia-nos unanimemente óbvia, voltaríamos de comboio....eheheh

E pronto, a partir de hoje já sabemos que temos sempre de andar com os andantes e os títulos da CP!!!
Viagem mais rápida é certo e menos cansativa. Saímos em Gaia na estação General Torres e descemos até ao Cais junto ao tabuleiro inferior da Ponte D. Luís.

Tarde amena e cais cheio de gente animada interessada tal como nós em passear e desfrutar de um domingo primaveril.
Depois do Cais de Gaia é que foram elas....sem ciclovia e com sinalética a proibir a circulação de bicicletas nos passadiços, tivemos mesmo de rolar na estrada. Foram cerca de 4 kms lentos e cautelosos, pois, ficámos à mercê do civismo dos automobilistas. Seria bom que quem de direito reflectisse sobre esta situação, uma vez que nos cruzamos com vários ciclistas e que entre eles existem, tal como nós, famílias com crianças. 
Houve ainda tempo para pequenas paragens para contemplarmos o rio e a bela paisagem do Porto.


E com o sol a querer pôr-se e a tarde a esfriar, o nosso passeio estava a terminar.

Que fantástico Domingo. Julgo que a Urban Lady não podia ter melhor início de vida junto da minha clássica Orbita e da bicicleta de montanha do homem da casa. Foi um dia em cheio para todos.😀 Amanhã vamos ver como estarão as nossas pernas, mas isso é outra história, por hoje damos por muito bem empregues os mais de 25 kms que deveremos ter feito a pedalar!!!!

sábado, 11 de março de 2017

500 milhões de anos da história da luta contra a doença: uma manhã no museu da farmácia

"A cura está ligada ao tempo e às vezes também às circunstâncias."
   Hipócrates 
Não podíamos ser recebidos no foyer do edificio da ANF no Porto de melhor forma, a escultura de José Rodrigues abre-nos a curiosidade e aguça a vontade de percorrer os 500 mil anos da história da humanidade na luta contra a doença e alívio da dor.
Esta visita a um dos museus não tão conhecidos do Porto, ocorreu no âmbito de mais um evento organizado pelo Carlos Vieira para a maltaromatica, aquele grupo que nos últimos meses me tem proporcionado experiências bastante enriquecedoras. Esta não fugiu à regra!

Depois de alguns equívocos comunicacionais que obrigaram a um compasso de espera antes da entrada, lá teve início a viagem pela história universal da saúde.
O primeiro olhar fixa-se num enorme painel vermelho onde se começa a perceber que vamos viajar por diversos espaços e tempos num encontro intercultural e interdisciplinar que confluem nesta imensa história da farmacologia.
O Museu da Farmácia no Porto abriu em 2010 na zona industrial no interior do edificio da delegação norte da Associação Nacional de Farmácia e conta com mais de 17 000 objectos adquiridos a particulares e em leilões e que representam um enorme valor histórico, artístico, antropológico e científico.
Logo de seguida através de corredores de vitrines podem observar-se objectos fascinantes.




Espaço de cruzamento dos saberes das várias civilizações, permite-nos conhecer as mais diversas formas de lidar com a doença e a dor. Desde a magia e a mitologia da Mesopotâmia, Egipto e de África, à medicina  Grega e Romana, passando pela medicina oriental do Tibete, Japão e China e pelas civilizações Asteca e Inca entre outras, esta viagem cronológica revela culturas tão diferentes mas unidas no objectivo de lutar contra a doença.

Entre o valioso espólio há efectivamente alguns objectos curiosos e não deixei de reparar na farmácia portátil russa.
Este requintado exemplar da arte de fazer móveis russa é da autoria de Heinrich Gambs e é uma peça de finais do séc XVIII, altura em que era habitual transportar os fármacos até aos pacientes. Com o evoluir dos tempos e o aparecimento das farmácias passou a ser o contrário e as pessoas é que começaram a deslocar-se para obter os medicamentos.
E se há Farmácias com história, podemos aqui encontrar a jóia da coroa das farmácias portuenses bem reconstituída -a farmácia Estacio. Uma das farmácias de que se lembram alguns dos meus companheiros de visita. Farmácia inaugurada em 1924, situava-se na rua Sá da Bandeira e era famosa pela sua balança falante. Infelizmente a balança não consta na reconstituição, quiçá perdeu-se no fogo que nos anos 70 danificou grande parte desta bela farmácia.

E foi tão divertido estar neste espaço, até deu para brincar aos farmacêuticos....eheheh, mas sobre este assunto não avanço nem mais uma palavra por respeito à idoneidade dos envolvidos...eheheh! 
E se de um lado temos o melhor da farmácia portuguesa, do outros lado temos a farmácia islâmica que existia no séc XIX num Palácio de Damasco.

Todo o trabalho de restauro desta farmácia árabe esteve a cargo da Fundação Ricardo Espírito Santo. 
A farmácia nos palácios islâmicos era muito importante pois, servia não só os residentes como toda a população que morava próxima do palácio, e não havia Califa que não se orgulhasse de cumprir a cultura islâmica através da prestação de cuidados de saúde aos mais necessitados. 
Toda a farmácia é de uma beleza ímpar, mas o tecto original composto por uma peça central com miríades de espelhos que reflectem a luz em todas as direcções é de uma beleza rara. Rara e digna de uma bela foto, ainda que tirada em pose pouco ortodoxa.😉

Depois desta viagem histórica ficámos rendidos a este museu que vale bem uma visita e maior divulgação. 
Podem encontrar mais informações sobre o museu aqui http://www.museudafarmacia.pt/.
O espaço está bem organizado e dispensa a visita guiada, no entanto sugerimos melhoria na comunicação organizacional de modo a articular de modo mais eficaz a comunicação entre Lisboa e Porto. Nota 20 para os adminisyradores do grupo maltaromatica Carlos Vieira e Lia Ribeiro.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Cycle Flower Parade - um passeio florido pela baixa do Porto

"A vida é como andar de bicicleta: para se ter equilíbrio tem de se manter em movimento."
Albert Einstein
Andar de bicicleta aos fins-de-semana é um hábito em família tão certo como comer ovos mexidos aos Domingos de manhã, ou seja, faz parte das nossas rotinas. Por isso, quando um destes dias consultei a agenda de eventos do Porto e vi anunciada a Cycle flower Parade para a tarde de sábado senti que o convite estava feito à nossa medida. A proposta era a de um passeio pela cidade, inserido nas comemorações de Porto- cidade das camélias. Um passeio de bicicletas floridas. Só tinhamos de decorar as bicicletas e aparecer no mercado bom sucesso! Belo desafio....

Optamos por decorarmos as bicicletas com flores campestres apanhadas perto da Flup. Eu e a Bea ficamos com a tarefa da decoração enquanto o "pai" dava as últimas afinações às bikes. O meu receio era que se não nos apresentassemos a preceito não nos deixassem participar e, não queriamos perder a oportunidade de pedalar pela baixa.
Quando chegámos ao Mercado do Bom Sucesso ficámos logo entusiasmados com a animação!!!!
Fomos tratar da nossa inscrição e aí inteiramo-nos do trajecto, organização e apercebemo-nos de imediato quão bem organizado estava o passeio. A responsabilidade foi de Urban Cicle Café e do Mercado do Bom Sucesso em parceria com  a Federação Portuguesa de Cicloturismo e utilizadores de bicicletas.


E eis que chegou o momento da partida! O desfile começou pela rua Júlio Dinis até à rua D. PEDRO V em direcção à Alfândega...



Bem, descer a rua D. Pedro V a pedalar é mesmo uma bomba de adrenalina....ver o rio ao fundo em vertigem é uma experiência absolutamente intensa! Tivemos de parar e esperar pelas crianças que seguiam mais lentamente e sempre acompanhadas por elementos da organização. Seguimos em direcção ao Palácio da Bolsa.



Um passeio inserido na semana das Camélias tinha de incluir visita à XXII exposição de camélias.
Depois desta pausa para descontrairmos e contemplarmos as milhares de camélias dispostas cuidadosamente na exposição continuámos em jeito de desfile. E acreditem a subida da rua das Flores até aos Clérigos deu para tudo....brincámos, trocámos de bicicletas, pousamos para simpáticos turistas e houve até quem conseguiu andar com duas bicicletas em simultâneo. Foi um passeio bem simpático e descontraído.
Depois de atravessarmos a Praça Carlos Alberto e a rua de Cedofeita é que veio a parte mais rápida, a tarde começava a ficar fria e o sol a descer a pique ( tipo a nossa descida da D. Pedro V....eheheh) era preciso pedalar mais e a rua da Boavista é um bom exemplo de alguma falta de civismo dos automobilistas e a prova de que a cidade ainda não está toda preparada para ser feita a pedalar. Enfim, não se pode ter tudo....
E a chegada foi momento de confraternização e de surpresa total.
Frente à loja Urban Cicle Café, a primeira loja inteiramente dedicada ao ciclismo urbano a abrir no Porto e onde se pode também fazer uma pausa para aconchegar de modo mimado o estômago e que parece que já tem fama nos brunchs ( podem encontrar toda a informação aqui  http://www.easy-cicle.pt/pt-pt/node/129) terminou o passeio com entrega de prémios. Primeiro foram as crianças participantes que tiveram direito a um giríssimo cadeado
E em seguida fomos nós presenteados com uma fantástica e super elegante bicicleta, uma Urban lady....
Yupi....foi sensacional! Não estavamos nada à espera, mas ficámos mesmo contentes. A B. veio para casa tão contente que repetia incessantemente " mamã não me acordes por favor, diz-me que é mesmo verdade...."
Ah! Mas ainda houve outra família contemplada com uma inscrição anual na Federação de Cicloturismo.


Foi um passeio bem divertido e intenso em emoções.
Nota 20 para a organização. A simpatia e atenção de todos os elementos da organização galvanizaram o fair play dos participantes. Parabéns a todos! Ficamos à espera de mais eventos.